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Negócios

Black Friday: americanos vão gastar 30% menos, mas moda ainda lidera a lista de compras

Pesquisa mostra orçamento médio de US$ 336 nos EUA, queda de 30%, e roupas e acessórios seguem como categoria mais desejada, embora menos procurada.

Redação Novidades e Joias
21 de outubro de 2026, 17h53 · 4 min de leitura
Black Friday: americanos vão gastar 30% menos, mas moda ainda lidera a lista de compras
Arte: Novidades e Joias

O americano ainda vai à Black Friday, mas leva menos sacolas para casa. Uma pesquisa da Omnisend, empresa de marketing por e-mail e SMS, ouviu mais de 1.110 consumidores nos Estados Unidos e apontou orçamento médio de US$ 336 (cerca de R$ 1.850, em conversão aproximada) para a Black Friday e a Cyber Monday. No ano passado, o valor era de US$ 479 (cerca de R$ 2.630), uma queda de 30%.

O levantamento, divulgado pelo WWD, também ouviu consumidores da Austrália, do Reino Unido e do Canadá. Nos quatro mercados, a fatia de quem pretende gastar mais de US$ 1.000 (cerca de R$ 5.500) caiu de 15% para 7%. Já a de quem pretende gastar menos de US$ 100 (cerca de R$ 550) saltou de 5% para 14%.

Moda no topo da lista, mas com menos fôlego

Roupas e acessórios continuam sendo a categoria mais citada: entre 38% e 42% dos entrevistados, conforme o país, pretendem comprá-los. Eletrônicos aparecem em segundo lugar, com 33% a 37%, seguidos por brinquedos e jogos, com 26% a 31%. A má notícia para o varejo é que todas as categorias perderam popularidade. A intenção de comprar roupas, por exemplo, caiu de 57% para 38%. Tecnologia foi de 53% para 35%, e brinquedos, de 38% para 31%.

O pano de fundo é o custo de vida. Nos Estados Unidos, 78% dos consumidores dizem sentir a alta dos preços. Metade afirma que o preço dos alimentos torna estressante receber a família nas festas, e quase quatro em cada dez pretendem gastar menos para priorizar o essencial. Para compras de valor mais alto, 38% dizem que vão recorrer ao “compre agora, pague depois” (BNPL, na sigla em inglês), modalidade de pagamento parcelado oferecida por plataformas financeiras.

O que move a decisão de compra é a economia. Entre 52% e 57% dos consumidores se deixam influenciar principalmente pelo tamanho do desconto, e de 34% a 38% pelo frete grátis. Kits de presente e ofertas por tempo limitado atraem de 19% a 26%. A inteligência artificial também entrou na caça às promoções: 22% dos americanos planejam usá-la para encontrar ofertas e cupons, contra 18% dos britânicos, 20% dos canadenses e 21% dos australianos.

Quem se prepara vende mais

Um segundo estudo, da Hostinger, plataforma de tecnologia, analisou 49.318 lojas virtuais em torno da Black Friday da edição passada. As lojas que não fizeram nenhuma preparação (sem atualização de produtos, descontos, cupons ou mudanças nas formas de pagamento) tiveram 5,8% mais tráfego em novembro do que a média de agosto a outubro. Mesmo assim, os pedidos caíram 3,5% e o valor vendido recuou 6,2%. Já as lojas preparadas aumentaram os pedidos em cerca de 16%, com vendas também em alta de dois dígitos.

O melhor resultado ficou com quem começou cedo. Segundo o relatório, lojas que iniciaram as ações de 8 a 21 dias antes da Black Friday viram os pedidos subirem 34,2% e o valor das vendas, 36,7%. Justinas Vaičiulis, líder de marketing de produto para e-commerce da Hostinger, resumiu: “A Black Friday testa toda a estrutura comercial de uma só vez. Se o tráfego sobe e as vendas não, o problema não é de reconhecimento da marca. Algo no caminho de compra está atrapalhando, seja a oferta, a experiência com o produto, o checkout ou o pagamento.”

Por que isso importa: para marcas de moda e varejistas, o recado é que o entusiasmo do consumidor já não basta. Com orçamentos menores, a venda por impulso de peças caras perde espaço para descontos claros, parcelamento flexível, frete grátis e kits promocionais. Como cada vez mais gente usa IA para comparar preços, também vale organizar bem a loja virtual e as informações de produto para não perder visibilidade justamente na hora da caça às ofertas. Quem deixar para a última hora corre o risco de ver o movimento crescer sem que o faturamento acompanhe.

Com informações de WWD.