Um outono quente demais virou problema de negócios para a Moncler, a grife italiana de casacos de plumas. Mesmo assim, o Moncler Group, que reúne também a Stone Island, somou 1,89 bilhão de euros (cerca de R$ 11,9 bilhões, em conversão aproximada) nos nove primeiros meses do ano. O resultado é 3% maior que o dos 1,84 bilhão de euros do mesmo período do ano anterior. A taxas de câmbio constantes, o avanço chega a 6%.
À frente do grupo, Remo Ruffini, presidente executivo, descreveu o trimestre como parte de um cenário “extremamente complexo” para o setor. Segundo ele, o momento pede rigor e foco na estratégia das marcas, com visão de longo prazo. Ruffini citou como provas desse caminho a recente abertura da loja-conceito na Quinta Avenida, em Nova York, e a campanha global “Pioneers in Moncler”.
Moncler: Ásia sustenta o crescimento e a Europa sente o calor
Só a marca Moncler faturou 1,58 bilhão de euros (cerca de R$ 10 bilhões), alta de 2%, ou de 6% a câmbio constante. No terceiro trimestre, porém, a receita foi de 499,6 milhões de euros, queda de 1% a câmbio constante. O canal de venda direta ao consumidor recuou 2% no período, pressionado por um ambiente desafiador e pela desaceleração do turismo, sobretudo na Europa, no Oriente Médio e na África. No acumulado dos nove meses, esse canal rendeu 1,29 bilhão de euros, alta de 3%. O atacado somou 298,5 milhões de euros, estável no ano e 3% maior a câmbio constante.
A Ásia, que inclui Ásia-Pacífico, Japão e Coreia, foi a estrela: 822,7 milhões de euros (cerca de R$ 5,2 bilhões), alta de 9%, com todos os países em crescimento no trimestre. Luciano Santel, diretor corporativo e de suprimentos do grupo, disse que a marca “é muito forte na China”, apesar do fluxo mais fraco de visitantes nas lojas. Ele afirmou que a Golden Week, feriado prolongado chinês, foi melhor que a do ano passado e que o grupo está confiante em relação ao país.
Já a região formada por Europa, Oriente Médio e África somou 546,7 milhões de euros, queda de 6%. No terceiro trimestre, a baixa foi de 8% a câmbio constante, por causa da demanda local mais branda e do turismo contido, principalmente de visitantes asiáticos. Santel explicou que julho e agosto foram quentes e que setembro teve temperaturas acima das do ano anterior. Nas Américas, a receita ficou estável em 219,8 milhões de euros, mas subiu 5% a câmbio constante.
Stone Island cresce e a Moncler tenta vender em outras estações
A Stone Island, marca de roupas esportivas e utilitárias do grupo, teve receita de 306,2 milhões de euros (cerca de R$ 1,9 bilhão), alta de 6% sobre os 288,1 milhões anteriores, ou de 8% a câmbio constante. O canal direto ao consumidor cresceu 7%, para 155,9 milhões de euros, com Ásia e Américas avançando em ritmo de dois dígitos. O atacado rendeu 150,3 milhões de euros. Na Ásia, a marca faturou 86,4 milhões de euros em nove meses, alta de 16%.
Em expansão física, a Moncler chegou a 305 lojas próprias, sete a mais que no fim de junho. Santel destacou a maior loja da marca no mundo, na Quinta Avenida, a unidade Crystals, em Las Vegas, e a ampliação da loja da Champs-Élysées, em Paris. A Stone Island tem 94 lojas próprias, uma a menos no trimestre, e prepara para o último trimestre uma unidade “nova e maior” na Corso Matteotti, em Milão.
O calor também ensinou algo à Moncler. Segundo Santel, a coleção de primavera vendeu melhor que a de pleno inverno, porque, sem frio, o consumidor compra peças mais leves. Isso reduziu o preço médio, embora os preços tenham seguido positivos. A marca vai ampliar a oferta de primavera e levá-la a mais lojas, sem abrir mão do DNA de inverno e montanha. Para a leitora brasileira, o recado é claro: até as grifes de casacos de luxo precisam se adaptar a um clima menos previsível e a turistas que gastam menos na Europa, e a Ásia segue como motor do setor.





