A WSG Brands, grupo que já reúne Von Dutch, Nasty Gal e Allbirds, anunciou a compra da Sanctuary, marca feminina contemporânea de Los Angeles. A grife é lucrativa e fatura cerca de US$ 85 milhões por ano (aproximadamente R$ 470 milhões, em conversão aproximada). O valor da transação não foi divulgado oficialmente.
Os números circulam desde março, quando o WWD obteve documentos sobre a operação. Segundo eles, a WSG buscava US$ 70,5 milhões em capital de investidores (cerca de R$ 390 milhões, em conversão aproximada). Desse total, US$ 67 milhões (cerca de R$ 370 milhões) corresponderiam ao preço de compra, e US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 19 milhões) a custos e taxas de fechamento.
Das calças cargo ao guarda-roupa completo
A Sanctuary foi fundada em Los Angeles, em 1997, pelo casal Ken e Debra Polanco. A marca começou focada em peças de baixo e conquistou público com calças cargo e utilitárias. Hoje vende jeans, suéteres, vestidos e casacos.
O atacado responde por 70% do negócio, com parceiros como Nordstrom e Bloomingdale’s, e o varejo próprio ganha espaço. No início deste ano, a marca abriu uma flagship de cerca de 186 m² (2 mil pés quadrados) na North Beverly Drive, 358, em Beverly Hills.
O plano: mais países e novas categorias
A WSG quer levar a Sanctuary ao Reino Unido, à Europa, ao Golfo e Oriente Médio e à Ásia. A estratégia combina licenciamento, distribuição, lojas, comércio digital e parcerias locais, ajustados a cada território. O grupo também quer transformar a marca, hoje centrada em roupas, em uma grife global de estilo de vida, com linhas masculina, infantil e de casa.
A operação de moda feminina ficará a cargo da Li & Fung, âncora do licenciamento. Os documentos vistos pelo WWD indicam que o modelo reduz o risco operacional, facilita a escala e transforma custos fixos em ganhos baseados em royalties. A Li & Fung já tinha ligação com a marca: em 2024, assinou um acordo para produzir e distribuir uma linha de jeans premium feminino. A MMG Advisors foi a assessora financeira exclusiva da Sanctuary.
“Nosso objetivo não é mudar o que fez a Sanctuary ter sucesso, mas construir sobre isso”, afirmou Jack Cheika, CEO da WSG Brands. Os fundadores dizem que seguirão ativamente envolvidos nessa nova fase e que a parceria dá à marca mais recursos e alcance global, sem abrir mão do ponto de vista e da filosofia de produto.
A transação mostra como marcas contemporâneas lucrativas atraem grupos que buscam escala sem pesar na operação. Para a Sanctuary, o desafio é crescer fora dos Estados Unidos e diversificar categorias sem perder a identidade que construiu em quase três décadas.





