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Negócios

Skechers e Kizik declaram vitória em disputa de patentes de tênis slip-in na Europa

Tribunal de Munique deu razão em parte à dona da Kizik, mas limitou a decisão a um modelo específico; Skechers diz ter vencido em três de quatro estilos.

Redação Novidades e Joias
21 de outubro de 2026, 16h41 · 4 min de leitura
Skechers e Kizik declaram vitória em disputa de patentes de tênis slip-in na Europa
Arte: Novidades e Joias

A guerra dos tênis que se calçam sem usar as mãos ganhou um novo capítulo na Alemanha, e as duas marcas saíram dizendo que venceram. Em 17 de outubro, um painel de juízes do Tribunal Unificado de Patentes, em Munique, decidiu que alguns modelos slip-in da Skechers violam uma patente da HandsFree Labs, empresa-mãe da Kizik. A Skechers foi mandada a parar de fabricar, distribuir e vender esses estilos na Europa.

O resultado, porém, tem asterisco. Os juízes restringiram o alcance da decisão apenas aos tênis que combinam um desenho específico, com painéis laterais elásticos e um estabilizador de calcanhar. Com isso, o tribunal rejeitou a acusação contra alguns estilos da Skechers que constavam na queixa original. A sentença vale para os 18 países da União Europeia sob a jurisdição da corte.

Dois lados, duas leituras

Gareth Hosford, CEO da HandsFree Labs e da Kizik, afirmou que a decisão “mostra que o sistema funciona”. Segundo ele, o tribunal reconheceu a força da patente, e a empresa seguirá defendendo a tecnologia criada por sua equipe.

A Skechers fez outra leitura. Em comunicado, disse ter vencido em três dos quatro estilos em disputa, sendo o quarto um modelo “menor e sem relevância comercial” para a marca. A empresa também citou que a corte de Munique teria classificado as alegações da Kizik como “em grande parte infundadas”.

A ação europeia foi apresentada em 2025 pela Fast IP, braço da HandsFree que detém a propriedade intelectual do grupo. Também foram citadas as operações da Skechers na Alemanha, na Suíça, na Bélgica, na Itália e na França. O valor da causa foi estimado preliminarmente em 1 milhão de euros (cerca de R$ 6,5 milhões, em conversão aproximada), cifra que, segundo a fonte, funciona mais como um valor simbólico para viabilizar o processo. A queixa pedia ainda o recolhimento dos produtos colocados no mercado desde 9 de julho de 2025 e indenização provisória de 200 mil euros (cerca de R$ 1,25 milhão, também em conversão aproximada).

O pano de fundo: uma compra de R$ 51 bilhões

Nos Estados Unidos, a briga continua. A HandsFree entrou com ação em 24 de julho, num tribunal federal do Distrito Leste do Texas, e citou o sucesso do Hands Free Slip-ins, da Skechers, como motor de um “crescimento impressionante” que levou ao anúncio da aquisição de US$ 9,42 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões, conversão aproximada) pela 3G Capital, a maior compra já registrada na indústria de calçados.

Em 28 de julho, a Skechers respondeu que o conceito de calçar sem as mãos é uma “ideia centenária” e que desenvolveu a própria tecnologia Slip-ins. A marca diz ter mais de 140 patentes de utilidade e design pelo mundo, enquanto a HandsFree afirma deter mais de 200 patentes e pedidos. O presidente da Skechers, Michael Greenberg, lembrou que a empresa anuncia e vende os slip-ins desde dezembro de 2021, sem qualquer contrato com a Kizik, e sugeriu que o processo busca uma fatia do valor da venda, dinheiro que, nas palavras dele, a Kizik “não ganhou e não merece”.

Por que isso importa: o conforto do calce fácil virou um dos territórios mais disputados do mercado de calçados, e patentes passaram a ser tão estratégicas quanto o design. A decisão de Munique, parcial e estreita, indica que os tribunais devem analisar cada detalhe técnico dos modelos, e que a disputa, longe de terminar, ainda terá muitos desdobramentos na Europa e nos Estados Unidos.

Com informações de WWD.