Ir para o conteúdo
Negócios

Pesquisa com 9 mil consumidores: 88% exigem preço transparente na moda

Índice 2026 da AlixPartners mostra que lojas físicas, preço justo e tamanhos consistentes pesam mais que IA e tecnologia futurista no varejo de moda.

Redação Novidades e Joias
21 de outubro de 2026, 13h47 · 4 min de leitura
Pesquisa com 9 mil consumidores: 88% exigem preço transparente na moda
Arte: Novidades e Joias

Em um momento em que o setor aposta alto em inteligência artificial e vendas pelas redes sociais, o recado das consumidoras é bem mais clássico: 88% consideram importante que os preços sejam transparentes, e 86% querem que preço e qualidade andem juntos. Os dados vêm do Consumer Sentiment Index 2026, da consultoria AlixPartners, que ouviu mais de 9 mil consumidores, principalmente nos Estados Unidos, e foi divulgado pelo WWD.

A pressão por valor tem motivo concreto. Segundo o estudo, o preço cheio médio anunciado das roupas femininas subiu 15% em dois anos, até agosto de 2026. Isso coloca as marcas diante de uma tarefa dupla: justificar o que cobram e mostrar com clareza o que a cliente recebe em troca.

Tamanhos, ajustes e o efeito dos medicamentos

Um dos achados mais comentados é o impacto dos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, sobre o setor. Cerca de 11% dos consumidores americanos usam esse tipo de remédio para diabetes ou perda de peso, e a consultoria aponta reflexos em estoque, desenvolvimento de produto, planejamento de coleções, devoluções, revenda, aluguel de roupas e serviços de ajuste.

Entre as compradoras de roupas esportivas, a importância de opções inclusivas caiu de 55% em 2024 para 37% em 2026. No mesmo período, a valorização de modelagem e numeração consistentes subiu de 29% em 2025 para 54% em 2026, e o interesse por ajustes e customização cresceu 29% sobre o ano anterior. A análise de sortimento, feita com dados da Edited, também mostrou queda nas peças plus size: 5% na H&M, 32% na Asos e 60% na Reformation. A Anthropologie foi na direção oposta e ampliou a oferta. A AlixPartners alerta que o público plus size pode acabar afastado de marcas mais sofisticadas, enquanto grifes de proposta inclusiva correm o risco de perder clientes.

IA ainda é coadjuvante; a loja física, não

Apenas 10% dos entrevistados começam a busca por produtos com IA, e a maioria não quer que agentes de inteligência artificial comprem moda em seu nome. A adoção, porém, é maior entre os mais jovens: 28% da Geração Z consideram muito importante a tecnologia de compra inovadora. O interesse também cresce com a renda. Entre quem ganha US$ 150 mil por ano ou mais (cerca de R$ 800 mil, em conversão aproximada), 68% acham o tema importante, contra 53% entre quem recebe menos de US$ 45 mil (cerca de R$ 240 mil). Para Sonia Lapinsky, líder global de moda da AlixPartners, as varejistas precisam começar a se preparar agora, ou correm o risco de ficar para trás quando as compras guiadas por IA se tornarem comuns.

Por ora, o básico manda: 87% valorizam a disponibilidade do produto, 84% querem lojas limpas e fáceis de percorrer e 81% priorizam vendedores atenciosos. A tecnologia inovadora aparece em 57%. A loja física, aliás, ganha ares de "terceiro espaço", entre casa e trabalho. Coach, Ralph Lauren e Dick’s Sporting Goods investiram em cafés, centros de personalização e áreas de teste esportivo, e o estudo associa essas apostas ao crescimento anual do tamanho da cesta de compras: 8% na Coach, 7% na Ralph Lauren e 3% na Dick’s.

No social commerce, 81% já compraram por redes sociais ao menos uma vez no ano, mas só 6% começam a descoberta de produtos ali. Entre as consumidoras de varejo especializado, a importância das parcerias com influenciadores caiu um terço desde 2025, enquanto o interesse em colaborações entre marcas cresceu. Segundo o relatório, o modelo de links de afiliados e venda instantânea está se fragmentando, à medida que o ceticismo aumenta e o conteúdo gerado por IA enfraquece a confiança digital.

Por que isso importa: a lição para o mercado de moda, inclusive o brasileiro, é que experiência, atendimento, preço claro e caimento confiável continuam sendo o maior diferencial. A tecnologia chega, mas só convence quando se apoia nesses fundamentos.

Com informações de WWD.