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Luxo

Iris van Herpen cria ouro 22 quilates reciclado inspirado no som do solo para Perrier-Jouët

Em Paris, a estilista holandesa transformou o som de vinhedos em motivos de ouro reciclado para garrafas raras de Belle Epoque, em plena semana de arte.

Redação Novidades e Joias
23 de outubro de 2026, 17h13 · 4 min de leitura
Iris van Herpen cria ouro 22 quilates reciclado inspirado no som do solo para Perrier-Jouët
Foto: CHRISTOPHER MACSURAK from Chicago, USA / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O que faz barulho debaixo da terra de um vinhedo saudável? Para a estilista holandesa Iris van Herpen, a resposta virou joia: ela traduziu as vibrações do solo em estruturas delicadas de ouro 22 quilates reciclado, que envolvem garrafas raras de Perrier-Jouët. A criação foi apresentada em um jantar no hotel The Peninsula Paris, um dos eventos paralelos da semana de arte da capital francesa, que girou em torno da Art Basel Paris e da Design Miami Paris.

A coleção tem uma peça única de colecionador, uma jeroboam (garrafa de grande formato) de Perrier-Jouët Belle Epoque 1988, e uma edição limitada de 10 magnums de Belle Epoque 1999. Em volta das garrafas, os fios de ouro serpenteiam entre drapeados de seda branca. O projeto nasceu do prêmio Perrier-Jouët Design for Nature Award, cuja primeira edição foi vencida por Van Herpen.

Do vinhedo ao ateliê: o som que virou desenho

Para chegar ao resultado, a designer visitou os vinhedos da maison ao lado do parceiro, artista sonoro, e gravou os ritmos sutis da vida vegetal. «Tento visualizar os organismos e as estruturas invisíveis da natureza», contou ela à WWD. Segundo Van Herpen, um cientista lhe disse que o solo realmente saudável produz paisagens sonoras, graças aos organismos que preparam o crescimento de novas plantas.

De volta ao ateliê, ela usou a cimática, ciência que torna o som visível, para converter essas vibrações em motivos orgânicos de correntes que lembram bolhas. O mesmo desenho aparece na embalagem da Dedicated Cuvée by Iris Van Herpen, edição limitada desenvolvida com a mestre de adega Séverine Frerson. A estilista descreveu a degustação inicial como uma experiência sinestésica: a cada Champagne provado, Séverine lhe entregava uma flor cuja pétala tinha a textura do vinho. «Eu fechava os olhos, sentia as texturas e provava o Champagne», disse.

O jantar ainda guardava uma surpresa. Enquanto os convidados saboreavam o menu do chef David Bizet, duas estrelas Michelin, uma modelo entrou com um vestido recortado a laser e rasgou a peça em tiras, oferecidas para todos provarem. O look era feito de couro de fruta, preparado com manga, pera e cítricos. Não chega a ser um susto vindo de Van Herpen, que já fez crescer um vestido de alta-costura a partir de algas bioluminescentes.

Uma semana de arte cheia de moda, design e gastronomia

A Art Basel Paris abriu ao público na sexta-feira, depois de três dias de pré-estreias, mas os organizadores cancelaram sábado e domingo por razões de segurança, diante do temor de protestos violentos. Outros eventos foram adiados ou cancelados, mas os que seguiram em frente atraíram multidões. O ponto alto veio na quinta-feira, com a venda da tela «Iris», de Claude Monet, na Sotheby’s Paris por 50 milhões de euros (cerca de R$ 310 milhões, em conversão aproximada), o maior valor já pago por uma obra em leilão na França.

Os endereços históricos também ganharam novos usos. Tracey Emin instalou três esculturas monumentais na esplanada do Trocadéro, diante da Torre Eiffel, e a arquiteta Aline Asmar d’Amman ocupou o Palais Garnier, que completa 150 anos e passará por grandes obras a partir do ano que vem. Doze obras contemporâneas expostas lá serão leiloadas na Sotheby’s em 3 de dezembro. No Le Meurice, o designer Harry Nuriev transformou o restaurante Le Dalí com uma mesa prateada para 24 pessoas, que serviu um menu em preto e branco criado por Alain Ducasse e pelo chef executivo Amaury Bouhours, acompanhado de Dom Pérignon.

A moda também esteve no lounge do Catar na Art Basel Paris, onde os uniformes bege em tela de algodão foram desenhados por Yasmin Mansour, vencedora do Fashion Trust Arabia Prize 2024 na categoria eveningwear. «É a cor do deserto», explicou ela. A gola xale do paletó, feita com sua técnica de sobreposição de tecidos, se inspira no bisht, manto masculino usado em casamentos e ocasiões formais. Mansour trabalha com tecido que sobrou de estoque, antes usado em tendas do Catar, e criou com ele brindes como necessaire, ecobag e caderno. O espaço serviu de prelúdio para a segunda edição da Art Basel Qatar, em janeiro.

Por que isso importa: a parceria de Van Herpen com a Perrier-Jouët mostra como o luxo contemporâneo une ciência, sustentabilidade e artesanato de joalheria, com ouro reciclado e raridade de colecionador. Na semana em que Paris bateu recorde em leilão, o recado foi claro: os grandes nomes do design e da moda disputam a atenção do mesmo público que compra arte, Champagne e joias.

Com informações de WWD.