A Hermès faturou € 4 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões, em conversão aproximada) no terceiro trimestre de 2026, alta de 4,3% a câmbio constante. O número ficou abaixo dos 5,2% esperados pelo mercado e confirma uma desaceleração: no segundo trimestre, o crescimento havia sido de 6,7%.
O grande motor do resultado continua sendo o couro. A divisão de artigos de couro e selaria, que reúne as bolsas e remete às origens da maison, avançou 10,8% e chegou a € 1,91 bilhão (cerca de R$ 11,5 bilhões). Sozinha, a categoria responde por quase metade da receita do trimestre.
Estados Unidos e Japão compensam a Ásia
Por região, as Américas cresceram 8,8%, o Japão subiu 9,6% e a Europa avançou 7,2%. A Ásia-Pacífico, sem contar o Japão, ficou estável. Já o grupo de outras regiões, que inclui o Oriente Médio, recuou 4,5%. A China e o Oriente Médio, portanto, ficaram para trás.
Fora do couro, o cenário é de queda
Prêt-à-porter e acessórios caíram 2%, para € 1,14 bilhão (cerca de R$ 6,8 bilhões). O grupo de outros setores, que inclui joalheria e casa, recuou 1,1%, para € 486 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões). Os relógios tiveram a queda mais acentuada, de 6%, para € 125 milhões (cerca de R$ 750 milhões). Na direção oposta, seda e tecidos subiram 1,4%, para € 214 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão), e perfumes e beleza cresceram 7,5%, para € 128 milhões (cerca de R$ 770 milhões).
Em comunicado, o presidente executivo Axel Dumas afirmou que, apesar de um ambiente complexo, a Hermès mantém o crescimento com rentabilidade e o rumo traçado. Segundo ele, a casa está convicta da força do modelo artesanal e olha para o futuro com confiança. Dumas também antecipou que o próximo ano vem cheio de novidades criativas: a primeira coleção masculina de prêt-à-porter assinada por Grace Wales Bonner e a estreia da alta-costura de Nadège Vanhée, em janeiro.
Os analistas do Jefferies, entre eles James Grzinic, destacaram em nota que o couro voltou a acelerar para quase 11%, mas que o descompasso nas demais categorias piorou para níveis sem precedentes. Para eles, os investidores vão querer o máximo de contexto sobre o quarto trimestre.
O resultado ajuda a ler o momento do setor. Os analistas já previam um trimestre difícil para o luxo, sobretudo pela desaceleração na China, e até agora acertaram: a divisão de moda e couro da LVMH registrou queda de 5% nas vendas, e a Moncler recuou 1%. Kering, Prada e Zegna divulgam seus números na quinta-feira, e a Richemont, em 13 de novembro. Vale observar se a força das bolsas da Hermès continuará sustentando a casa enquanto o restante do portfólio busca fôlego.





