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Negócios

Fortuna de R$ 400 milhões pode cair para R$ 156 milhões em 20 anos, aponta simulação

Estudo da Mardô Family Office mostra como consumo, gestão e preparo dos herdeiros podem fazer um patrimônio de R$ 400 milhões encolher ou chegar a R$ 974 milhões.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 05h44 · 4 min de leitura
Fortuna de R$ 400 milhões pode cair para R$ 156 milhões em 20 anos, aponta simulação
Arte: Novidades e Joias

Herdar uma grande fortuna não significa mantê-la. Uma simulação da Mardô Family Office, consultoria especializada em sucessão e governança familiar, mostra que um patrimônio de R$ 400 milhões pode ficar em R$ 156 milhões após 20 anos, ou esgotar-se por completo no 14º ano no cenário mais adverso. Em outro modelo, com herdeiros bem preparados e um ciclo empreendedor forte, o mesmo ponto de partida chega a R$ 974 milhões.

O tema ganha urgência com o tamanho do movimento global. Em 2025, 91 pessoas se tornaram bilionárias por herança e receberam juntas US$ 297,8 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão, em conversão aproximada a R$ 5,50 por dólar), segundo o UBS. No Brasil, a transferência de riqueza entre gerações deve movimentar US$ 46,4 bilhões (cerca de R$ 255 bilhões, também em conversão aproximada) nos próximos 15 anos.

Quando a fortuna cresce, mas a fatia de cada herdeiro encolhe

Os exercícios são hipotéticos e partem de R$ 400 milhões, quatro herdeiros na segunda geração e 16 descendentes na terceira, com valores em reais de 2026. No melhor cenário do primeiro modelo, o patrimônio cresce 44,2% acima da inflação e chega a R$ 577 milhões em duas décadas. Dividido entre 16 pessoas, porém, cada uma recebe cerca de R$ 36,1 milhões, o equivalente a apenas 9% do patrimônio original.

No cenário-base, a fortuna cai para R$ 156 milhões, ou R$ 9,8 milhões por descendente. A conta depende do quanto a família retira para manter o padrão de vida e da rentabilidade dos ativos. O consumo é a variável mais controlável: se cada um dos quatro núcleos familiares reduzisse as retiradas de R$ 3,2 milhões para R$ 2,5 milhões por ano, o valor por descendente subiria de R$ 9,8 milhões para R$ 15 milhões. Segundo a Mardô, isso evitaria R$ 72,4 milhões em saques acumulados. O efeito cresce com o tempo porque o modelo liga o gasto da terceira geração ao padrão da segunda.

O peso do preparo dos herdeiros

O segundo modelo avalia o que muda quando a família prepara seus integrantes para assumir funções executivas, gerir investimentos ou criar novos negócios. O patrimônio final varia de R$ 162 milhões, na simples transferência de bens, a R$ 974 milhões, na hipótese de integração familiar com ciclo empreendedor forte. No meio do caminho, ficam R$ 301 milhões com preparo parcial e R$ 570 milhões com integração plena, cerca de 3,5 vezes o resultado da transferência simples.

O empreendedorismo entra na equação com ressalvas. A contribuição dos novos negócios ao patrimônio poderia passar de R$ 27 milhões para R$ 161 milhões se o múltiplo de retorno das iniciativas bem-sucedidas subisse de seis para 12 vezes. Com aportes maiores e o mesmo múltiplo, chegaria a R$ 317 milhões. O prazo pesa: um negócio financiado no terceiro ano tem mais tempo para amadurecer do que outro iniciado no 18º. A própria consultoria ressalta que são projeções condicionadas às premissas adotadas, e não retornos garantidos.

Apesar dos valores em jogo, o planejamento ainda é raro. Estimativas da Mardô indicam que apenas 11% das empresas familiares analisadas pela consultoria têm plano de sucessão, percentual que reflete o universo acompanhado por ela, e não um dado consolidado do país.

Por que isso importa: a conclusão dos exercícios não é que toda família deva empreender, nem que exista fórmula para blindar uma fortuna. É que sucessão vai além de decidir quem recebe os bens: envolve preparar a família para decidir o que fazer com eles, e as escolhas sobre consumo, gestão e responsabilidades, tomadas cedo, podem separar um patrimônio que se dilui de outro que se renova.

Com informações de Forbes Brasil.