Um autorretrato de Rembrandt, Mistress and Maid, de Vermeer, e St. Francis in the Desert, de Giovanni Bellini, serviram de cenário para um jantar de gala em Nova York. Na terça-feira à noite, a Frick Collection reuniu convidados de black-tie em suas galerias para o Autumn Dinner, que homenageou a arquiteta alemã Annabelle Selldorf. Foi a primeira edição do evento anual desde a conclusão, no ano passado, da reforma de cinco anos assinada por ela.
Uma noite entre mestres antigos
A programação começou com um coquetel intimista no Reibel Reception Hall, com taças de champanhe Ruinart. Os convidados circularam pelos corredores do museu, passaram pelo célebre chafariz do Garden Court e pela Fragonard Room. Entre os presentes estavam os co-chairs da noite, Margot e Jerry Bogert, a benfeitora Sofia A. Blanchard e Judy e Jamie Dimon, integrantes do comitê do evento.
O jantar sentado aconteceu nas galerias do primeiro andar, com paredes verde-esmeralda e as telas dos mestres antigos ao redor. No teto, o laylight, uma claraboia de luz difusa, dialogava com uma mesa em tons de chocolate assinada pela Marfala, decorada com vasos de lírios fartos e luminárias em formato de cogumelo. Sobre a toalha, minaudières e pochettes bordadas dividiam espaço com mãos à espera dos aplausos. A sobremesa trouxe minibiscoitos de gengibre, trufas, mousses individuais de chocolate e bolas de sorbet.
A reforma como assunto principal
Entre uma taça e outra, a conversa voltava sempre ao trabalho de Selldorf, a atualização mais abrangente do museu em noventa anos. O projeto restaurou os espaços históricos, ampliou a acessibilidade e criou áreas novas para a programação pública: galerias no segundo andar, um grande auditório, uma loja e um café bem decorado. “A renovação ainda está no centro das atenções do Frick”, afirmou Elizabeth Mugar Eveillard, presidente do conselho de curadores, que destacou a resposta calorosa de visitantes de Nova York e do mundo.
A nova geração de público também entrou na pauta. A confeiteira Rula Lutfi, integrante do grupo Young Fellows há quase dois anos, foi de Ronny Kobo e reuniu joias Graff, Cartier e Van Cleef & Arpels. “É a Nova York icônica, e a reforma de Selldorf trouxe a Era Dourada para a nova era”, disse ela. Já Monika McLennan, curadora de longa data do museu e colega de Selldorf no conselho do World Monuments Fund, definiu a arquiteta como a escolha perfeita, por sua forte apreciação do patrimônio cultural e da preservação da história.
Ao subir ao palco, o diretor Axel Rüger disse que “impressionante” não dá conta do currículo da homenageada. Lembrou que, depois de projetos como o do Frick e o da National Gallery, em Londres, ela agora parte para o Louvre, em Paris, e para uma nova casa da Mona Lisa. Segundo ele, Selldorf equilibrou com maestria a preservação da visão do sr. Frick para a mansão.
Selldorf respondeu com bom humor: se o resultado não tivesse sido bom, imaginava que não estaria ali. “Foi ainda melhor do que bom”, disse. Ela contou que, mesmo 18 meses após a reabertura, ainda recebe elogios e os aceita com gratidão, mas sabe que é apenas uma entre muitos colaboradores. Adaptou o ditado “é preciso uma aldeia” para “é preciso uma cidade”.
O jantar mostra como grandes museus transformam a própria reforma em ativo de prestígio e engajamento. Com o Frick de casa renovada, mais aberto ao público e de olho em novos patronos, a noite indicou o caminho: preservar a história sem deixar de atrair quem vem depois. Para Selldorf, a próxima etapa leva essa conversa a um endereço ainda maior, o Louvre.





