Um post-it colado ao computador, com o esboço de uma bolsa, esperou anos até virar produto. Foi assim que Luisa Dames, fundadora da Aeyde, deu o primeiro passo rumo às bolsas: a Opera Bag, de cetim, chega em 29 de outubro como parte da coleção Festive 2026 e custa 495 euros (cerca de R$ 3.000, em conversão aproximada).
A Aeyde é uma marca de calçados com sede em Berlim, criada em 2015 e nativa do meio digital. Ela ficou conhecida pelo visual limpo e discreto, com inspiração Bauhaus, e por um preço intermediário entre o acessível e o luxo. Depois de comemorar dez anos de existência, no ano passado, a marca se prepara para crescer aos poucos, dos sapatos para acessórios como cintos de couro, luvas, lenços de seda e joias.
Um ateliê ao lado da La Scala
A ideia da bolsa nasceu do conceito da estação, chamado Kontinuum, que gira em torno de tradição e savoir-faire, com a ópera como um dos temas centrais. Luisa desenvolvia uma coleção festiva de calçados em cetim e percebeu que a primeira bolsa da marca não precisava ser de couro, como se esperaria. Poderia ser uma peça de noite, fina e elegante.
Para executá-la, a fundadora pesquisou bastante até encontrar um pequeno ateliê no centro histórico de Milão, muito perto do teatro La Scala. O espaço é especializado em cetim, em tecidos refinados e em pequenas tiragens. Atende clientes de alto padrão e não funciona como grande fábrica, o que, segundo ela, combina com o jeito de trabalhar da Aeyde. Marca e ateliê acompanharam juntos toda a fase de protótipos, para garantir que o cetim e o couro napa atingissem o padrão desejado.
O desenho é uma silhueta trapézio triangular, em forma de A, que une o cetim a tiras de couro napa. As tiras cruzam o corpo da bolsa e partem da base para reforçar a estrutura. As fivelas em A, assinatura da grife, ajustam o comprimento das alças. A bolsa será vendida em preto, vermelho e roxo envelhecido, no e-commerce da marca.
Jantar em Londres e campanha na ópera
Na quarta-feira, a Aeyde reúne convidados em um jantar intimista no Sessions Arts Club, em Londres, com apresentação de ópera alemã. A lista é encabeçada por Gemma Janes, escritora, fotógrafa e curadora que atua como editora convidada da marca no outono de 2026.
Em seguida estreia a campanha Festive 2026, chamada “The Stage”, filmada na Staatsoper Unter den Linden, a ópera mais antiga de Berlim. A atriz berlinense Lilith Stangenberg, com trajetória no teatro, no cinema e na performance, aparece com a Opera Bag e com outras peças da coleção. A foto é de Pavel Golik, e o styling, de Monika Tatalovic.
A linha em cetim inclui ainda o scarpin Mahlia, de bico quadrado largo e salto fino esculpido, a sapatilha Matti, um dos ícones da casa, e o cinto Alvy. Há também scarpins de couro envernizado, mocassins franzidos, modelos em camurça, pelo de pônei e shearling macio, além de brincos pendentes em latão com banho de paládio, finalizados com pérola ou ônix.
Por que isso importa: a Aeyde tem cerca de 40 funcionários, sede em Berlim e distribuição em mais de 130 boutiques, lojas de departamento e varejistas online, como Net-a-Porter, Mytheresa, Le Bon Marché, Selfridges e Harrods. A Opera Bag não será uma edição única: ela fica na coleção, e Luisa já planeja novas cores para a primavera. Sobre outros formatos, a fundadora diz que quer construir a marca passo a passo, e que toda nova categoria deve parecer uma extensão natural do que já existe.





