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Negócios

Toray cria fio com 93% de material reciclado para coleções do inverno 2027

A japonesa Toray prepara fio de poliéster e náilon com 93% de reciclado; Ponda, Hyosung e Weavabel também movimentam a cadeia têxtil da moda.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 11h10 · 5 min de leitura
Toray cria fio com 93% de material reciclado para coleções do inverno 2027
Arte: Novidades e Joias

O luxo do futuro começa no fio. A japonesa Toray Industries prepara um fio de poliéster e náilon feito com no mínimo 93% de material reciclado em peso, e os primeiros tecidos com a fibra estão previstos para a coleção outono/inverno 2027. Os dois polímeros usam matérias-primas recicladas. A empresa afirma que suas tecnologias de desenho de polímeros e de fiação composta permitiram elevar o teor reciclado sem perder a regularidade do fio, um desafio quando se combinam materiais diferentes.

Vale a ressalva: o índice de 93% vale para o fio cru. O percentual reciclado do tecido ou da peça final dependerá dos outros materiais empregados. A fibra será usada na linha Artirosa CX, pensada para casacos, roupas urbanas para atividades ao ar livre e moda casual premium. Os tecidos têm superfície densa e de textura fina, toque firme e, conforme a construção e o acabamento, podem oferecer impermeabilidade, repelência à água e proteção contra o vento. Segundo a Toray, os agentes repelentes não contêm PFAS de forma intencional. A meta é vender 200 mil metros da linha no primeiro ano.

Do colete de taboa ao elastano de cana

Em Bristol, na Inglaterra, a empresa de biomateriais Ponda leva seu isolamento à base de taboa para o vestuário corporativo. A coleção Wear the Wetland reúne coletes personalizáveis que empresas, universidades e outras organizações podem encomendar diretamente. Há três modelos, Otter, Heron e Mallard, com reservas abertas e entrega prevista para o outono de 2027. Todos levam o BioPuff, enchimento feito das fibras macias da espiga de taboas cultivadas em áreas úmidas restauradas na Grã-Bretanha e na Europa, por meio da paludicultura, o cultivo agrícola em terras reumidificadas.

Para Julian Ellis-Brown, cofundador e CEO da Ponda, cada pedido cria demanda por taboas cultivadas nessas áreas e ajuda agricultores a construir renda estável. As organizações reservam sua cota antes da produção, e as peças são feitas em lote único, alinhado à colheita, o que limita o estoque especulativo. A marca já trabalhou com Berghaus, Stella McCartney, Ahluwalia e Sheep Inc., e criou com o Imperial College London um colete Mallard e um boné Fern para a linha de roupas da universidade.

Já a sul-coreana Hyosung TNC estrutura seu negócio de biomateriais em uma rede integrada no Vietnã, que liga insumos químicos derivados da cana-de-açúcar ao elastano final. Em comunicado de 19 de outubro, a empresa detalhou o caminho do bio-BDO (1,4-butanodiol de origem vegetal) ao PTMG, intermediário usado no elastano Regen Bio. A fábrica de bio-BDO já operava comercialmente, com capacidade inicial de 50 mil toneladas por ano, que deve subir por etapas até 200 mil toneladas. O investimento total do projeto é de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões, em conversão aproximada).

O bio-BDO é obtido pela fermentação de açúcares da cana e, quimicamente idêntico ao convencional, substitui a matéria-prima fóssil nessa etapa. Ele segue para as operações de Dong Nai, onde vira PTMG e elastano. A Hyosung diz que o resultado tem elasticidade e recuperação equivalentes às do elastano comum, para roupas esportivas, lingerie, moda praia e jeans. A origem da cana é verificada pelo programa VIVE, e a SGS certifica o conteúdo de base biológica. “Estabelecemos um sistema de produção integrado que conecta matérias-primas de base biológica ao fio de elastano acabado”, disse o presidente Cho Hyun-Joon.

Etiquetas e máquinas: os bastidores da escala

Até a etiqueta de composição virou assunto estratégico. A Weavabel, fornecedora de aviamentos e embalagens, fabricou 3,6 milhões de etiquetas de cuidado no segundo trimestre, quatro vezes as cerca de 900 mil de um ano antes. A equipe do setor passou de quatro para oito pessoas, e a empresa começou a produzir etiquetas em Portugal, sua primeira fabricação própria. A explicação é que marcas querem controlar arte, traduções e pedidos em toda a sua rede de fornecedores, em vez de deixar cada fábrica comprar por conta própria. A Weavabel também lançou um portal online, ampliou em 50% a capacidade europeia e integrou-se a provedores de passaporte digital de produto. O movimento antecipa regras europeias de design ecológico: a Comissão Europeia pretende adotar o ato delegado para têxteis no fim de 2027, data que não é a do prazo de adequação das empresas. A meta é dobrar o número de marcas atendidas em dois anos.

Fechando o panorama, a Karl Mayer vai apresentar máquinas para vestuário, calçados e têxteis técnicos em sua unidade de Changzhou, na China, durante a ITMA Asia 2026, nos dias 19 a 21 e 23 de novembro. Entre as novidades para calçados está a RDJ 7/3, de tear raschel duplo, cujas três barras jacquard permitem aberturas maiores, zonas funcionais diferenciadas e desenhos multicoloridos.

Por que isso importa: as grifes falam de sustentabilidade na vitrine, mas a mudança real acontece em fios, enchimentos, elastanos e etiquetas. Com a regulação europeia se aproximando, quem dominar essa cadeia terá vantagem e uma história mais sólida para contar à consumidora.

Com informações de WWD.