Ir para o conteúdo
Negócios

Governo americano aponta políticas para criar uma moda circular e gerar empregos

Relatório do GAO analisa como os EUA podem reciclar mais roupas e têxteis, abrir vagas em reparo e reciclagem e reduzir o desperdício da indústria.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 10h11 · 3 min de leitura
Governo americano aponta políticas para criar uma moda circular e gerar empregos
Arte: Novidades e Joias

E se o futuro da moda americana passasse tanto pelo conserto e pela reciclagem quanto pela passarela? É o que sugere um novo relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo dos Estados Unidos, que detalha as políticas capazes de acelerar a economia circular dos têxteis no país. Segundo o estudo, esse modelo poderia criar empregos e mercados ligados ao reparo e à reciclagem, além de reduzir o impacto ambiental do setor.

O trabalho dá continuidade a uma análise feita em 2024. Desta vez, a equipe revisou leis, regulamentos, documentos de agências federais e estudos acadêmicos, e entrevistou representantes de governos (internacionais, federais e estaduais), da indústria, de universidades e de organizações sem fins lucrativos. Também visitou Oregon, Washington, a França e os Países Baixos para conversar com empresas que já trabalham na construção desse sistema.

Por que reciclar roupa é tão difícil

O relatório lembra que a cadeia têxtil é gigantesca: vai da produção de fibras e fios à fabricação, e abrange não só roupas, mas também tapetes, calçados e toalhas. O maior obstáculo para fechar o ciclo é a falta de infraestrutura nacional de coleta, separação e reciclagem. Embora o país tenha uma estrutura relativamente robusta para outros materiais, como PET e papel, essas instalações provavelmente não conseguem receber têxteis, por causa do risco de contaminação.

A própria natureza das peças complica o processo. Misturas de fibras e acabamentos como tingimentos, zíperes e outros detalhes aplicados ao tecido dificultam a reciclagem. Há ainda a demanda insuficiente por material reciclado, já que as recicladoras dificilmente ampliarão a operação sem um mercado comprador. O GAO também cita a escassez de dados e a falta de padronização de termos como “reuso” e “downcycling”, cujo significado ainda é ambíguo.

As saídas propostas

A principal sugestão é criar um programa de responsabilidade estendida do produtor (EPR) para têxteis, nos moldes dos que vários estados já adotam para embalagens. Nesse sistema, quem fabrica paga para que o resíduo seja reciclado em vez de ir para o aterro. Califórnia, Colorado, Maine, Maryland, Minnesota, Oregon e Washington têm ou terão leis desse tipo para embalagens. A União Europeia, segundo a reportagem, também prevê exigências de EPR para têxteis, que devem virar lei no ano que vem.

Para compensar parte desse custo, o órgão propõe créditos fiscais para empresas que contribuam com a circularidade, seja reutilizando têxteis, seja reduzindo o desperdício. Muitos representantes da indústria ouvidos disseram preferir uma abordagem federal, que agilizaria a coordenação, o cumprimento das regras e a aplicação uniforme em todo o país. O GAO ressalva, porém, que isso exigiria mais coordenação e recursos federais e dependeria da autoridade legal do governo para implementar o modelo.

Para a leitora que acompanha o mercado da moda, o recado é claro: a regulação da circularidade está avançando nos Estados Unidos e na Europa, dois dos maiores mercados de consumo do planeta. Grifes, fabricantes e varejistas, que tendem a se ajustar às regras desses mercados, podem ver mudanças em custos e processos. Segundo o relatório, o sistema só funcionará com a participação de legisladores, produtores, coletores, recicladores, consumidores e organizações não governamentais.

Com informações de WWD.