O Ermenegildo Zegna Group encerrou os nove primeiros meses do ano com vendas de 1,42 bilhão de euros (cerca de R$ 8,9 bilhões, em conversão aproximada), alta de 7,2% sobre os 1,32 bilhão do mesmo período de 2024. No terceiro trimestre, a receita chegou a 433,8 milhões de euros (cerca de R$ 2,7 bilhões), avanço de 8,9% na comparação anual. Os números foram divulgados em Milão.
O motor do resultado foi o canal de venda direta ao consumidor, ou seja, as lojas e o comércio eletrônico próprios da casa. Ele somou 1,11 bilhão de euros (cerca de R$ 7 bilhões) no acumulado, alta de 12,4%, e cresceu 13% no trimestre graças à marca Zegna. Só o DTC da grife homônima teve expansão orgânica de 16%. Já o atacado de produtos de marca recuou 11,8%, para 195,2 milhões de euros, reflexo da seleção mais rigorosa dos pontos de venda.
A marca Zegna lidera, e a China volta a render
A marca Zegna faturou 918,4 milhões de euros (cerca de R$ 5,8 bilhões) em nove meses, 12% a mais que os 819,8 milhões do ano anterior. No terceiro trimestre, a receita subiu 13,8%, para 283,8 milhões de euros, com crescimento orgânico forte no DTC em todas as regiões.
Gildo Zegna, presidente do grupo, comemorou o desempenho na Grande China, onde a receita somou 320,2 milhões de euros no período (alta de 6,6%) e cresceu 8,7% no trimestre. Segundo ele, a operação foi “consertada” e rende bem depois de dois anos de ajustes finos. O executivo atribuiu a melhora à excelência do atendimento, à personalização e à atenção aos detalhes, e citou a boa recepção do sob medida Su Misura, do tecido Vellus Aureum e dos calçados Triple Stitch. Também creditou aos dois espaços exclusivos Salotto, em Xangai e Pequim, a elevação da imagem da marca. Hong Kong se recupera desde o início do ano, e Macau também ajudou.
As Américas seguem como a região de crescimento mais vigoroso: 440,7 milhões de euros (cerca de R$ 2,8 bilhões) e alta de 14,7% em nove meses, o equivalente a 31% do total. No trimestre, o avanço foi de 14%, com a Zegna à frente no DTC e a Tom Ford Fashion também em alta. Gildo destacou que o ritmo de dois dígitos se mantém mesmo diante de uma base de comparação cada vez mais exigente. A Europa, Oriente Médio e África somaram 491,4 milhões de euros (35% do total, alta de 2,4%), e o restante da Ásia-Pacífico, 166,9 milhões (alta de 4,9%).
Thom Browne pede ajuste, Tom Ford abre lojas
Nem tudo foi alta. A Thom Browne faturou 168,5 milhões de euros em nove meses, queda de 5%, e vendeu 45,4 milhões no trimestre, 5,9% a menos. O grupo aponta o consumidor mais cauteloso na Grande China e a reorganização do atacado. Gildo Zegna afirmou que a Thom Browne foi a única marca afetada por um trimestre difícil e que é preciso achar a fórmula certa para ela na China. Uma colaboração com a Asics chega no quarto trimestre, e o executivo espera boa resposta.
A Tom Ford Fashion somou 226,4 milhões de euros (alta de 3,5%) e cresceu 5,4% no trimestre, com os dois canais contribuindo. Novas lojas serão inauguradas nas próximas semanas no South Coast Plaza, em Bal Harbour e em San Diego, e uma nova flagship abre em Paris no primeiro trimestre de 2026. A divisão têxtil teve alta de 1%, para 97,9 milhões de euros. Gildo também anunciou um novo Salotto Zegna em Nova York, acima da loja principal da marca.
O recado do resultado é que o luxo masculino de alfaiataria premium resiste num cenário global incerto quando aposta em relacionamento direto, personalização e lojas de alto padrão. Gildo Zegna diz olhar para os meses finais do ano com “confiança cautelosa”, apoiada em mais de um século de savoir-faire. A recuperação da China e a correção de rota da Thom Browne serão os pontos a observar no fechamento de 2025.





