O Prada Group, dono da Prada, da Miu Miu e, agora, da Versace, somou 4,54 bilhões de euros em receitas nos nove primeiros meses do ano (cerca de R$ 27 bilhões, em conversão aproximada). O resultado, divulgado até 30 de setembro, representa alta de 12% sobre os 4 bilhões de euros do mesmo período do ano passado. A fotografia, porém, tem nuances: a grife mais badalada da casa, a Miu Miu, desacelerou no terceiro trimestre.
O número cheio embute a Versace, que contribuiu com 441 milhões de euros em vendas (algo como R$ 2,6 bilhões). Sem ela e a câmbio constante, o crescimento do grupo foi de 4%. No terceiro trimestre, a receita avançou 11% a câmbio constante. As vendas no varejo do grupo subiram 8%, para 3,93 bilhões de euros (cerca de R$ 23,6 bilhões), com trimestre estável em um cenário mais difícil.
Prada em terreno positivo, Miu Miu em pausa
As vendas no varejo da marca Prada cresceram 2% em nove meses e 1% no terceiro trimestre, com bom desempenho nas Américas e na Ásia-Pacífico, incluindo a China, e tendência estável na Europa e no Japão. Já a Miu Miu teve alta de apenas 1% no acumulado e queda de 3% no trimestre. O grupo atribui o movimento a uma base de comparação puxada: a grife havia crescido 41% nos nove primeiros meses de 2025 e 29% no terceiro trimestre do ano passado, além de uma composição geográfica menos favorável. Sem o efeito do Oriente Médio, o trimestre teria sido praticamente estável.
Para manter a marca visível, a Miu Miu apostou em pop-ups itinerantes no novo formato Miu Miu Vinyl Club e inaugurou o lounge Miu Miu Shanghai IFC, descrito como um ambiente único de hospitalidade intimista. O CEO do grupo, Andrea Guerra, classificou o desempenho como “constante” e afirmou que “seu posicionamento continua afiado e os indicadores de varejo, muito robustos”.
Américas disparam, Oriente Médio recua
Por região, as Américas foram o grande destaque: as vendas subiram 29%, para 851 milhões de euros (cerca de R$ 5,1 bilhões), impulsionadas pela forte demanda doméstica. Na Ásia-Pacífico, a alta foi de 10%, para 1,34 bilhão de euros (cerca de R$ 8 bilhões). O terceiro trimestre ficou estável, com o fluxo contido na China continental compensado por tendências positivas na Coreia do Sul, em Hong Kong e em Macau. No Japão, as vendas cresceram 5% a câmbio constante, chegando a 424 milhões de euros (cerca de R$ 2,5 bilhões), mas caíram 6% ao câmbio atual. O Oriente Médio, por sua vez, recuou 25%, embora com melhora de um trimestre para o outro, sustentada pelo consumo local.
Guerra destacou a “resiliência” do grupo em um trimestre de contexto particularmente desafiador para o setor, apoiada no desejo pelas marcas e na boa execução do varejo. Ele citou o projeto Galleria, em Milão, apresentado em setembro: uma experiência de vários andares que reúne moda, gastronomia e cultura, com a exposição permanente Pradasphere. Patrizio Bertelli, presidente do grupo, lembrou a abertura da unidade produtiva de Piancastagnaio, na Toscana, um polo integrado dedicado a artigos de couro, e avisou que a turbulência de mercado deve persistir, mas que a empresa seguirá construindo “para o longo prazo”.
Por que isso importa: o balanço mostra que, mesmo no segmento de luxo, o crescimento já não é uniforme. As Américas compensam a cautela na China e a fraqueza no Oriente Médio, e uma marca em ascensão acelerada como a Miu Miu sente o peso de comparações exigentes. O próximo capítulo está na Versace: a integração segue no prazo, antes da estreia criativa de Pieter Mulier, prevista para 2027.





