A casa das bolsas Birkin e Kelly continua a crescer, mas em ritmo menor do que o mercado esperava. A Hermès International registrou receita de 4,1 bilhões de euros no terceiro trimestre (cerca de R$ 25 bilhões, em conversão aproximada), alta de 4,3% a câmbio constante, isto é, descontado o efeito das oscilações das moedas. Analistas projetavam, em média, 5,2%.
O resultado também fica bem abaixo dos 9,6% do mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete um cenário mais difícil para as grifes de luxo, com a demanda na Ásia ainda contida. “A Hermès continua enfrentando um ambiente de negócios difícil de modo geral”, disse Luca Solca, analista da Bernstein. O CEO, Axel Dumas, adotou tom mais otimista: segundo ele, apesar de um contexto complexo, a empresa mantém o crescimento com rentabilidade e confia na força do modelo artesanal, com visão de longo prazo.
Europa, Japão e Américas compensam a Ásia
A Europa teve o melhor desempenho entre as regiões, com vendas 7,2% maiores. A França, mercado de origem da marca, cresceu 3,6%, e o restante do continente avançou 9,5%. O Japão voltou a se destacar, com alta de 9,6%, e as Américas somaram 8,8% nos três meses até o fim de setembro.
Na Ásia, o quadro é de estagnação. Fora do Japão, as vendas ficaram estáveis, sem crescimento nem queda, e a região como um todo avançou apenas 1,9%. O Oriente Médio recuou 4,5%, em meio a incertezas geopolíticas e econômicas.
Couro lidera; relógios são o ponto fraco
Os artigos de couro, categoria que abriga Kelly e Birkin, seguem como principal motor do grupo, com alta de 10,8% a câmbio constante, sustentada tanto por modelos novos quanto por clássicos da casa. Perfumes e beleza cresceram 7,5%. As empresas controladas, como os sapatos John Lobb, o cristal Saint-Louis e a prataria Puiforcat, tiveram a melhor marca depois do couro: 10,5%. Os lenços de seda subiram 1,4%.
Do lado negativo, prêt-à-porter e acessórios caíram 2%, e joalheria e casa recuaram 1,1%. Os relógios continuam a categoria mais fraca, com queda de 6% no trimestre.
A moda é justamente onde a Hermès deposita expectativas. Dumas citou a primeira coleção masculina de prêt-à-porter assinada por Grace Wales Bonner e a estreia da alta-costura por Nadège Vanhée, ambas previstas para janeiro de 2027. Para a leitora que acompanha o mercado, o recado é que a força da marca ainda está no couro e no artesanato, enquanto a moda ganha, nos próximos meses, o papel de próxima aposta de crescimento.





