Mais de 2 milhões de pares de shorts vendidos em 2025 e um salto de 392% nas vendas de peças cor-de-rosa nos Estados Unidos: são esses os números que a Gymshark, marca britânica de roupas de treino, divulgou com exclusividade à WWD para mostrar como o guarda-roupa feminino de academia está mudando. A novidade vem acompanhada de outra estreia: Megan Thee Stallion é a primeira “atleta VIP” da história da empresa.
O anúncio caiu num momento especialmente oportuno. Poucos dias antes, o monólogo do comediante Shane Gillis no “Saturday Night Live”, que ironizava os looks femininos de academia, viralizou e colocou o segmento fitness no centro da conversa. Segundo Noel Mack, diretora de marca (chief brand officer) da Gymshark, a internet ligou os pontos imediatamente. Ela diz que a marca não força a entrada em assuntos culturais: participa quando algo realmente faz sentido. Com bom humor, contou que quem busca “Shane” no site da empresa encontra os shorts scrunch, aqueles com franzido na parte de trás.
Por que Megan Thee Stallion
Para a Gymshark, a rapper americana reúne música, moda, fitness e cultura pop, e internamente é tratada como musa da marca. Mack destaca que Megan treina de verdade e já falou abertamente sobre o que a academia significa para o corpo e para a mente. “Não queríamos alguém que apenas vestisse nossas roupas numa campanha”, afirmou a executiva, que quis uma pessoa que realmente viva a cultura do treino e para quem desempenho e estilo andam juntos.
A parceria também serve para apresentar a marca a um público mais amplo, sem mudar sua essência. A ideia, nas palavras de Mack, é levar o universo da academia a mais gente por meio de alguém que compartilha a mesma paixão. No anúncio da campanha, Megan apareceu com o short SoftSense na cor Impact Red, um vermelho intenso.
Os números do guarda-roupa feminino
Os dados da empresa mostram que o short virou protagonista. Neste ano, as vendas unitárias de shorts femininos cresceram quatro vezes mais rápido do que as de leggings, com alta de 8% contra 2%. Nos Estados Unidos, o avanço de agosto a setembro foi de 32% sobre o mesmo período do ano anterior. O disparo de 392% nos shorts rosa, segundo a marca, indica o apetite das consumidoras por cores fortes.
Mack vê nisso uma mudança de fundo na relação das mulheres com o exercício. O treino de força entrou para a cultura mainstream, e a academia passou a ser um espaço para ganhar confiança e se expressar. Segundo ela, as clientes buscam cada vez mais peças pensadas, sem pedir desculpas, para valorizar o corpo.
A Gymshark também amplia o território com a SoftSense, coleção de 11 peças em seis cores criada para o Pilates, que leva a marca ao treino de estúdio.
O que vem a seguir
Os Estados Unidos são a grande aposta da empresa. No ano passado, ela inaugurou sua primeira loja americana, um flagship de quatro andares e 13 mil pés quadrados (cerca de 1.200 m², em conversão aproximada) no bairro NoHo, em Nova York, e agora prepara uma academia própria em Miami. Mack afirma que a marca, construída principalmente on-line, está “só no começo” e que as lojas físicas devem ser pontos de encontro da comunidade. Para quem acompanha o mercado de moda, o recado é claro: o esporte feminino segue como um dos territórios mais disputados do setor, e parcerias com celebridades autênticas podem ser o caminho mais curto até novas consumidoras.





