Ir para o conteúdo
Negócios

Prada lança plugin no ChatGPT e fabricante da Nike fecha parceria com a Palantir

Prada estreia conversa de compras no ChatGPT, Changshin une dados de fábrica à Palantir e Amazon turbina a Alexa: a moda entra na era dos agentes de IA.

Redação Novidades e Joias
6 de novembro de 2026, 12h12 · 4 min de leitura
Prada lança plugin no ChatGPT e fabricante da Nike fecha parceria com a Palantir
Arte: Novidades e Joias

É possível conversar com a Prada dentro do ChatGPT. A grife italiana lançou um plugin que permite explorar o universo da marca em diálogos informais com a inteligência artificial, levando a casa de luxo a uma das maiores plataformas de IA do mundo. A novidade, por ora, funciona como projeto-piloto e está disponível nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Itália.

O plugin foi desenvolvido pela própria Prada com a Accenture Song, braço de tecnologia e criatividade da consultoria global Accenture, e conta com o apoio da DaVinci Commerce, plataforma nativa de IA. O objetivo é testar o que o chamado “comércio agêntico”, em que assistentes de IA conduzem a descoberta e a compra, pode significar para o luxo. “Experiências conversacionais representam uma evolução natural do e-commerce tradicional”, afirmou Laura Campanella, diretora digital do Prada Group, que descreve a iniciativa como um território novo de relacionamento com o público.

Da conversa com o cliente ao chão de fábrica

A inteligência artificial também avança nos bastidores. A Changshin, fabricante sul-coreana de calçados que produz para a Nike, vai usar a Palantir Technologies para conectar informações e processos desde o desenvolvimento do calçado e o planejamento de amostras até a produção na fábrica. A empresa aplicará a plataforma de IA da Palantir, a AIP, e o Foundry, sistema operacional corporativo da companhia. A parceria nasce de um workshop recente, o AgentCamp, em que engenheiros da Changshin e da Palantir trabalharam juntos com dados reais para demonstrar os primeiros fluxos.

A ideia é que as equipes identifiquem problemas mais cedo, reduzam atritos na passagem de bastão entre áreas e usem os resultados da produção para orientar decisões futuras. “Decisões tomadas no desenvolvimento definem como operamos no chão de fábrica”, disse o CEO da Changshin, Choongil Nam, que quer levar o aprendizado de cada modelo para o seguinte.

Concorrência, estoque e compras no piloto automático

No varejo, a plataforma Profitmind apresentou o Awase, modelo que compara produtos entre catálogos de concorrentes. O desafio é antigo: um mesmo vestido midi preto de tricô canelado pode aparecer como “vestido tubinho sem mangas de malha canelada” em uma loja e como “regata midi ajustada” em outra. Parecem peças distintas, mas disputam a mesma cliente. O Awase analisa imagem, descrição e especificações técnicas em conjunto, sem depender de um código em comum, e aponta o item idêntico ou o mais próximo. Treinado com mais de 200 milhões de anúncios analisados ao longo de cinco anos, o modelo opera com clientes desde abril de 2026, e menos de 1% das correspondências foi rejeitada, segundo a empresa.

Já a Relex Solutions anunciou recursos para que empresas coordenem vários agentes de IA e dados em uma única plataforma, em vez de deixá-los isolados. A proposta é integrar visões de merchandising, cadeia de suprimentos, operações e finanças, para que uma decisão leve em conta seu impacto nas outras áreas. Nas palavras do CEO e cofundador Mikko Kärkkäinen, dar a cada área o seu agente não faz uma empresa funcionar melhor se as decisões não estiverem em sintonia. Na Amazon, o assistente Alexa for Shopping ganhou mais de cem novas capacidades, como gerenciar assinaturas, atualizar instruções de entrega e resolver dúvidas de pagamento e cobrança, por enquanto apenas para clientes nos Estados Unidos.

O que isso significa para a leitora brasileira? O luxo, que sempre cultivou o atendimento personalizado, começa a testar como reproduzi-lo em escala digital, enquanto indústria e varejo usam a IA para decidir melhor e errar menos. Ainda são pilotos e anúncios, mas indicam o caminho: quem vende, fabrica e precifica moda caminha para operações cada vez mais conectadas, e a vitrine do futuro pode ser uma conversa.

Com informações de WWD.