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Negócios

Tarifas sobre roupas e calçados nos EUA saltam para até 24,5% e custam US$ 28,4 bi

Associação da moda americana aponta ao governo dos EUA barreiras em 12 países, inclusive o Brasil, e cobra previsibilidade sobre as tarifas de importação.

Redação Novidades e Joias
6 de novembro de 2026, 10h11 · 4 min de leitura
Tarifas sobre roupas e calçados nos EUA saltam para até 24,5% e custam US$ 28,4 bi
Arte: Novidades e Joias

A conta das tarifas sobre moda ficou bem mais pesada nos Estados Unidos. Em 2025, o setor pagou cerca de US$ 28,4 bilhões (aproximadamente R$ 156 bilhões, em conversão aproximada) em impostos de importação sobre roupas, calçados e artigos de viagem. No ano anterior, o valor havia sido de US$ 16,8 bilhões (cerca de R$ 92 bilhões), uma alta de 68%. Os números constam de um documento da American Apparel and Footwear Association (AAFA), a principal entidade do setor no país.

A associação, sediada em Washington, enviou comentários ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão do governo americano que cuida das negociações de comércio exterior. O material integra o relatório anual sobre barreiras comerciais estrangeiras, o National Trade Estimate Report de 2027. Nele, a AAFA listou problemas em 12 países com os quais as empresas americanas fazem negócios, entre eles licenciamento de importação, valoração aduaneira, regras de rotulagem, barreiras técnicas e proteção à propriedade intelectual.

O peso das tarifas no guarda-roupa americano

O argumento da entidade parte de um dado: cerca de 97% das roupas e dos calçados comprados nos EUA vêm de fora. Além disso, 95% dos consumidores de moda feita nos EUA vivem fora do país. Ou seja, a indústria depende de fornecedores e de clientes internacionais. Segundo a AAFA, de 70% a 75% do valor de uma peça importada corresponde a etapas feitas em solo americano, como design, marketing, conformidade, logística e varejo.

Os percentuais mostram o tamanho do impacto. Em 2024, a tarifa média ponderada pelo comércio era de 14,7% para vestuário, 12,2% para calçados e 13,8% para artigos de viagem. Em 2025, após o início do segundo mandato de Donald Trump e de um novo regime tarifário, as taxas passaram para 24,5%, 23,7% e 22,8%, respectivamente. Em 2026, o peso continuou a crescer: até agosto, o setor já havia recolhido cerca de US$ 17,9 bilhões (perto de R$ 98 bilhões), dos quais US$ 8,2 bilhões (aproximadamente R$ 45 bilhões) em tarifas adicionais criadas por meio de poderes comerciais presidenciais.

Para a AAFA, o problema vai além do custo direto. A entidade fala em incerteza sobre as tarifas impostas com base nas seções 301, 232, 122 e 338 da legislação americana, o que, segundo o texto, complica decisões de fornecimento, atrapalha o planejamento de longo prazo e encarece produtos para empresas e consumidores. Entre as sugestões ao USTR estão acabar com a sobreposição de tarifas sobre o mesmo produto, zerar tarifas sobre insumos e máquinas usados na produção doméstica, isentar itens cobertos por acordos de livre comércio e dar prazos maiores antes de novas medidas entrarem em vigor.

Brasil, China e México na lista

O Brasil aparece entre os países citados. De acordo com a AAFA, exigências de autorização de licenciamento para a importação de certos produtos criam encargos administrativos e atrasos para os importadores. A China, por sua vez, é acusada de negar com frequência, de forma arbitrária, os benefícios do acordo de livre comércio com a Asean. A entidade também critica a regulação chinesa, que varia conforme a jurisdição, tem pouca transparência e restringe a importação de materiais reciclados usados em têxteis. Segundo a AAFA, o país ainda retaliou empresas americanas por causa do cumprimento de leis como a Uyghur Forced Labor Prevention Act, inclusive com a inclusão de firmas em sua lista de entidades não confiáveis.

O México foi apontado por novas tarifas sobre vestuário, têxteis e calçados aplicadas neste ano, além de procedimentos aduaneiros que exigem mais documentação e geram mais auditorias e inspeções. No Canadá, membros da associação reclamam de auditorias pesadas e de decisões inconsistentes de classificação tarifária por parte da agência de fronteiras do país. Índia, Haiti, El Salvador, Guatemala e Honduras também foram mencionados por diferenças regionais de regulação e fiscalização.

O que isso significa para quem acompanha o mercado de moda: o relatório mostra que marcas e varejistas americanos tentam influenciar a política comercial do país num momento em que o custo de importar mudou de patamar. Para o consumidor, o efeito pode aparecer em preços e na oferta de produtos. Para fornecedores de outros países, inclusive os brasileiros, vale acompanhar como o USTR vai tratar o pedido por mais previsibilidade.

Com informações de WWD.