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Luxo

Herb Ritts e a cabana de toras em Santa Fe que a mãe decoradora tornou chiquérrima

Em 1996, a Vogue visitou o refúgio do fotógrafo Herb Ritts no Novo México, onde a mãe, Shirley Ritts, transformou uma cabana rústica em projeto de luxo.

Redação Novidades e Joias
8 de novembro de 2026, 10h10 · 4 min de leitura
Herb Ritts e a cabana de toras em Santa Fe que a mãe decoradora tornou chiquérrima
Foto: MUSIC_AND_WALLPAPER / Pixabay

Herb Ritts queria uma «cabana rústica, sem eletricidade, só com lampião». O que ele ganhou, graças à mãe, foi uma cabana de toras tão sofisticada que a Vogue americana a chamou de «de primeira classe». A reportagem de Hamish Bowles foi publicada em dezembro de 1996 e agora volta ao ar na seção de arquivo da revista, com detalhes que ainda inspiram quem sonha com um refúgio de luxo.

O fotógrafo, famoso pelos retratos de estrelas, beldades e corpos em escala heroica, descobriu Santa Fe quase por acaso. Cinco anos antes, a tia dele, Allene LaPides, dona de um rancho na região, inaugurou ali sua galeria de arte com a exposição «Men/Women», do sobrinho. Seu editor na época, Jack Woody, comprou uma casa na cidade, e Ritts se encantou. «Algo me pegou. Senti uma afinidade com a terra», contou. Ele saiu em busca de um imóvel, sem planejar muito, e queria algo remoto e que não fosse «todo em adobe».

Uma montanha, 150 acres e um poço antigo

Ritts encontrou uma casa no alto de uma montanha, acima das planícies e colinas cobertas de pinhões, com vista panorâmica e nuvens em constante mudança, dignas de uma tela de Georgia O’Keeffe. Aos poucos, ampliou a propriedade e, no ano anterior à reportagem, comprou 150 acres (cerca de 60 hectares) de floresta do outro lado da montanha. Ali, sobre um afloramento rochoso acima de pinheiros-ponderosa, a dez minutos de carro da casa principal, ele colocou uma cadeira velha para contemplar a paisagem. Um poço antigo descoberto no terreno o fez pensar em construir uma cabana de toras, um retiro romântico para ele e os amigos.

Antes disso, já havia chamado a mãe, a decoradora Shirley Ritts, para transformar a casa original. Herb imaginava pequenos ajustes, mas ela projetou a estrutura para fora em todos os lados, ganhando volume, elevou os tetos e instalou seus banheiros amplos revestidos de azulejos, marca registrada da decoradora. Depois veio a casa da piscina, descrita pela Vogue como a mais glamorosa «deste lado de San Simeon», numa referência ao castelo de Hearst, na Califórnia. A sala tem janelas ao longo de 45 pés (cerca de 14 metros). «Herb queria uma casa de piscina “pequena”», diz Shirley, com ironia. «Não dá para fazer “pequeno” aqui!»

A cabana de toras ganha pedigree

Ritts tentou tocar a cabana sozinho, mas, entre a agenda internacional e as reuniões com empreiteiros, acabou recorrendo à mãe, durante um jantar. Shirley conta que resistiu, mas levou as plantas para casa. Às duas da manhã, estava com papel vegetal e papel milimetrado na mão, redesenhando tudo, já que a única porta do projeto era a da frente. O veredicto que deu ao filho, segundo ela: «É horrível!»

A rusticidade ficou restrita à estrutura. Ao lado do marceneiro Jeff Carbine e do construtor John Wolf, Shirley percorreu as serrarias da região e escolheu pessoalmente cada tábua. Herb também teve ideias firmes: as duas lareiras que ancoram o projeto foram feitas não com a pedra rosada local, mas com belas pedras elípticas de rio, colhidas nos arroios secos de Villanueva. Um dos pedreiros lembra que ele exigia que todas tivessem a mesma cor.

Os móveis vieram de Los Angeles, Paris e destinos exóticos. Cadeiras do fim do século XVII repousam sobre tapetes de Agra, trabalhados como miniaturas mogóis. Poltronas club francesas dos anos 1930 dividem espaço com móveis em estilo mission de Randolph Laub, amigo de Ritts e designer de Santa Fe, que também fez a maior parte das molduras de madeira da coleção de fotografias vintage do dono. No acervo há o retrato de Barbette, a equilibrista dos anos 1930, feito por Man Ray, um estudo surrealista de Herbert List e um buldogue terrier de focinheira clicado por Matt Mahurin. As obras do próprio Ritts na casa refletem a retrospectiva «Herb Ritts Work», então em cartaz no Museum of Fine Arts de Boston até 9 de fevereiro de 1997.

Para Shirley, que decorou casas de Abigail van Buren (a colunista «Dear Abby»), Bobby Darin e Cary Grant, a cabana é «o ponto alto» da carreira, com dezoito homens trabalhando para cumprir o prazo. Quase três décadas depois, a história mostra que luxo de verdade está menos na ostentação e mais na curadoria obsessiva: da tábua escolhida à mão à pedra de rio sem variação de tom. E, nesse caso, na parceria entre um fotógrafo célebre e a mãe, que o ajudou a transformar o sonho de um refúgio em lar.

Com informações de Vogue.