A maçaneta tem formato de croissant, o balcão imita uma recepção de hotel e, na calçada, há até um café montado para os clientes. É assim a primeira loja permanente da Brunch, marca nova-iorquina de calçados e lifestyle, que abriu as portas na semana passada no número 251 da Elizabeth Street, em Nolita, bairro descolado de Manhattan conhecido por boutiques e cafés.
A inauguração encerra uma fase de lojas temporárias. Desde 2021, quando fez seu primeiro pop-up em Nova York, a marca passou por espaços sazonais na própria cidade, em Amagansett (balneário dos Hamptons) e em Aspen, no Colorado. Agora, o endereço fixo reúne toda a linha: a pantufa original, mocassins, mules, modelos em camurça e shearling (pele de carneiro), além de pijamas, roupões, peças de vestuário e a linha infantil.
Um lobby de hotel com cara de férias
O projeto é do estúdio Studio Jume e parte da sensação do “primeiro dia de férias”. A loja vira um lobby de hotel bem-humorado: fachada de gesso em amarelo-manteiga, toldo azul-marinho com acabamento recortado, marcenaria em cerejeira e revestimento em azulejo azul-bebê. Há ainda nichos numerados para retirada de pedidos, inspirados em hotéis, e um balcão de check-in curvo.
Os detalhes seguem a brincadeira: vitrais cor de âmbar, espelhos azul-bebê sob medida, iluminação quente, uma campainha de recepção, a inscrição “enjoy your stay” em latão no piso e xícaras de cappuccino como decoração. Uma parede de tecido atoalhado, o mesmo das pantufas de hotel, exibe o cardápio de bordados.
A personalização ganhou lugar de destaque. Os clientes podem bordar os modelos em tecido atoalhado com diferentes ícones e cores de linha, em uma estação de bordado à vista de todos. Um bar de customização à parte oferece cadarços, ferragens, miçangas e berloques para modelos selecionados.
Dos hotéis ao “terceiro espaço”
A Brunch nasceu em 2020, da ideia de Daniel Sitt: levar para o dia a dia a sensação de chegar ao hotel, calçar a pantufa e entrar no modo férias. Inspirado por sua paixão por calçados, viagens e pelo chamado slow living, ele criou uma marca em torno de conforto, lazer e da licença para desacelerar. O irmão, Joshua Sitt, cofundador da Madhappy, que criou ainda na faculdade de Georgetown, juntou-se ao projeto quando a marca começou a conquistar público de forma orgânica.
Os pop-ups serviram de laboratório. Em Amagansett, a marca lançou o Boat Mule junto com um bar de berloques. O bordado, que começou como experimento pequeno, virou serviço procurado para casamentos, datas especiais e presentes. Já o pop-up da Prince Street testou eventos comunitários, colaborações e experiências presenciais.
Por isso, os irmãos não veem a loja apenas como ponto de venda, mas como um “terceiro espaço” para a comunidade da marca, com eventos, ativações, programação com criadores de conteúdo e parcerias que vão se revezar por ali. Sobre a escolha de Nolita, eles disseram em comunicado conjunto que a Elizabeth Street é um daqueles quarteirões em que “tudo se encaixa”: cafés, boutiques e energia, em um conjunto curado que reflete o modo de vida da cliente.
Por que importa: o movimento mostra uma tendência clara no varejo de moda e lifestyle, em que marcas nascidas na internet e testadas em lojas temporárias apostam no endereço fixo como vitrine de identidade e espaço de relacionamento. Para a Brunch, a flagship é a representação física mais completa de seu universo, e a experiência personalizada tende a ser o principal diferencial.





