Um anel que vira colar e ainda se transforma em pulseira. Esse tipo de peça, que a holandesa Bibi van der Velden sempre fez sob encomenda, agora ganha palco próprio: nesta sexta-feira, em Amsterdã, a joalheira apresenta suas primeiras criações de alta joalheria, a coleção Eclipse, formada por duas suítes de seis peças cada. A informação é da WWD.
Uma suíte é toda em diamantes brancos. A outra aposta em um degradê delicado, que combina os diamantes com espinélios cinza. O fio condutor é o jacaré, símbolo da grife, que para ela fala de empoderamento feminino e de dar às mulheres o toque de ousadia de que às vezes precisam. Desta vez, o animal aparece em versão arquitetônica e abstrata, bem distante das linhas orgânicas e esculturais que marcam a assinatura da marca. Bibi, filha da escultora Michèle Deiters, que ela considera sua musa, diz ter trabalhado ao “subtrair e destilar” até chegar a um contorno limpo.
Diamantes lapidados sob medida
O resultado são geometrias articuladas que repousam sobre a clavícula, pendem das orelhas ou envolvem dedos e pulsos. As escamas do jacaré foram esculpidas no verso das peças, e o fundo convexo dos brincos é, nas palavras dela, “uma forma em si”. Os diamantes têm lapidações escada e baguete feitas sob medida para acompanhar cada curva, e algumas peças da suíte de diamantes passam de 12 quilates. Ela também escolheu ouro branco 18 quilates natural, cujo tom dá mais profundidade do que o acabamento em ródio, muito comum com esse metal.
Os brincos longos da Eclipse custam cerca de 75 mil euros, ou aproximadamente US$ 75 mil a US$ 80 mil (algo em torno de R$ 410 mil a R$ 440 mil, em conversão aproximada). Ao contrário da maioria dos brincos da casa, vendidos à unidade, estes são vendidos em par. Cada design terá edição limitada e numerada.
Do ateliê à loja: o crescimento da marca
Para entender o salto, vale olhar a escala da marca, criada há 21 anos. A joalheria fina parte de cerca de 1.400 euros (aproximadamente R$ 8.700, em conversão aproximada) para brincos de pressão e os charms lançados recentemente, e passa de 20 mil euros em peças como o bracelete aberto em ouro com formato de cauda de sereia. Os best-sellers brincos Bite custam em torno de 8 mil euros, e as encomendas exclusivas começam entre 25 mil e 30 mil euros.
O negócio emprega 24 pessoas em Amsterdã, conta desde há seis anos com o marido, Thomas, advogado de formação, e vende cerca de 65% pelo canal direto ao consumidor. Em outubro de 2025, ela abriu sua primeira loja, de dois andares, em Amsterdã, apesar de ter resistido por muito tempo ao varejo. Vieram também o Jewels on Wheels, um carrinho de marchetaria com cerca de 30 peças que circula pelo hotel Rosewood Amsterdam, e um Citroën HY vintage transformado em vitrine itinerante. Em 2025, ano dos 20 anos da grife, a receita cresceu 50%, embora os números absolutos não sejam divulgados. Os Estados Unidos respondem por cerca de 40% das vendas.
A clientela é majoritariamente de mulheres que compram para si: advogadas, executivas, empreendedoras e médicas com patrimônio próprio e grande conhecimento de arte e artesanato. Bibi observa que o mercado se polariza, com forte crescimento nas peças únicas de alto valor e na porta de entrada, enquanto o segmento intermediário sofre.
O que vem a seguir: a Eclipse é, segundo ela, um degrau para uma alta joalheria “realmente fora da curva”, prevista para 2028. Nos próximos seis meses, a marca vai buscar pedras maiores e individuais. Em 2027, a expansão da joalheria fina e da alta joalheria mira Singapura, Hong Kong, Kuala Lumpur, Tóquio, Xangai e Seul, e uma segunda loja deve abrir até o fim do ano. A mensagem é de uma marca que leva o ofício a sério, sem a pose corporativa.





