Ir para o conteúdo
Negócios

Fundador da Mazarine assume 86% do grupo e mira dobrar o faturamento de €300 mi

Paul-Emmanuel Reiffers encerra 15 anos de fundos de private equity na consultoria criativa francesa e quer dobrar as vendas em cinco anos.

Redação Novidades e Joias
19 de outubro de 2026, 02h11 · 4 min de leitura
Fundador da Mazarine assume 86% do grupo e mira dobrar o faturamento de €300 mi
Foto: crystal710 / Pixabay

Depois de 15 anos com fundos de investimento no capital, o francês Paul-Emmanuel Reiffers agora é dono de 86% da Mazarine, um dos grupos de consultoria criativa mais influentes do luxo europeu. A operação foi concluída em setembro e encerra a participação de LBO France, Mirabaud e FG Bros, que o apoiaram quando ele retomou o controle majoritário, de 54%, em 2022. Os valores não foram divulgados.

A Mazarine atua em comunicação de luxo, serviços criativos, eventos, mídia, arte e produção cultural, com cerca de 500 funcionários no mundo. Segundo a empresa, o faturamento anual gira em torno de 300 milhões de euros (cerca de R$ 1,8 bilhão, em conversão aproximada). O grupo também é dono da revista Numéro, referência em moda na França.

Um negócio para os próximos 30 anos

Entram no quadro societário o empresário Jacques Veyrat, por meio da holding Impala, com 9%, e os diretores-gerais do grupo, que somam 5%. Reiffers diz que quis ter mais controle sobre as decisões estratégicas e investir com visão de longo prazo. "Não trabalho para vender a empresa. Não quero ter uma empresa financeira, quero ter uma empresa criativa e construir uma marca realmente bonita", afirmou. Ele conta que pensa a companhia para os próximos 30 anos ou mais, já que seus filhos trabalham com ele: Boniface em Paris e Stanislas em Nova York.

A meta é dobrar a receita em cinco anos e ampliar a presença internacional. Hoje, cerca de 75% do negócio vem da França; o restante, de mercados como Estados Unidos, China e Oriente Médio.

Estados Unidos, Itália e China no radar

Os Estados Unidos são a principal aposta. A receita ali triplicou em três anos e chega a cerca de 70 milhões de dólares (aproximadamente R$ 380 milhões, em conversão aproximada). Entre os clientes estão a Tiffany & Co. e marcas fora do luxo tradicional, como Nike e Apple. Para Reiffers, o savoir-faire francês em produção criativa é muito valorizado pelos americanos.

Na Itália, onde já atende Gucci e Loro Piana, a Mazarine pretende abrir um escritório em Milão em 2027, somando-se ao de Veneza, onde produz projetos de arte e cultura, inclusive ligados à Bienal de Veneza. Na China, o executivo vê potencial apesar do cenário difícil e considera uma aquisição como caminho. Já os planos para o Oriente Médio foram afetados pelo conflito regional, que paralisou parte da expansão.

Reiffers descreve a desaceleração atual do luxo como uma pausa, não uma queda estrutural, e cita a incerteza geopolítica e o tempo de adaptação de novas direções criativas nas grandes casas. "Para a minha empresa, a crise é uma oportunidade de diversificar", disse. A diversificação inclui a Arter, de produção de arte e exposições, comprada há dois anos, e a agência londrina de relações públicas Bacchus, adquirida em junho para ampliar o acesso a clientes de altíssima renda. O grupo ainda aposta em exposições de herança de marcas que possam circular por várias capitais culturais e desenvolveu uma IA generativa própria para criar experiências personalizadas para clientes VIC.

Para o mercado, o movimento mostra que as agências criativas do luxo buscam independência e diversificação num momento de cautela do setor, e que o ritmo da Mazarine nos próximos anos pode indicar para onde vão os orçamentos de eventos e experiências das grandes grifes.

Com informações de WWD.