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Luxo

Jatos usados reformados ganham força: upgrade custa cerca de US$ 5 milhões

Com fila de até 2030 por um Falcon 10X, donos de jatos privados apostam em aeronaves usadas e reformadas, com Starlink, bares e até cabine de DJ.

Redação Novidades e Joias
18 de outubro de 2026, 21h00 · 4 min de leitura
Jatos usados reformados ganham força: upgrade custa cerca de US$ 5 milhões
Foto: Kim_R_Hunter / Pixabay

Quem encomendar hoje um Falcon 10X, um dos jatos executivos mais aguardados do mercado, pode ter de esperar até 2030, segundo Sarah Mespelt Larrañaga, fundadora do escritório de design aeronáutico Sarah Larrañaga Aviation Design, em Los Angeles. A aviação privada viveu dois anos de vendas recordes, e a consequência são filas de produção longas e preços nas alturas. Um jato novo pode chegar a US$ 75 milhões (cerca de R$ 410 milhões, em conversão aproximada) antes de qualquer personalização.

Diante disso, cresce o mercado de aeronaves seminovas, que são compradas para serem completamente renovadas. A conta atrai: o proprietário atualiza o avião por uma fração do valor de um modelo de fábrica e, em vez de aguardar anos, recebe a aeronave em meses.

Os modelos mais procurados e o que entra na reforma

Entre os pontos de partida preferidos estão o Gulfstream G550 e o G650, o Bombardier Global 6000, 6500 e 7500, e o Falcon 7X e 8X. São jatos conhecidos pela confiabilidade, pela autonomia de voo e pelo consumo eficiente de combustível, e custam entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 110 milhões a R$ 275 milhões).

Segundo Larrañaga, cuja empresa tem trabalhado em vários projetos do tipo, as atualizações essenciais custam em média cerca de US$ 5 milhões (algo como R$ 27 milhões). O pacote inclui melhorias internas e externas: nova aviônica, sistemas de gerenciamento de cabine, equipamentos de cockpit, som e entretenimento, iluminação e internet de alta velocidade Starlink. Para quem quer ir além, há ainda bares de coquetéis e até cabines de DJ. “Existe tanta tecnologia disponível que podemos pegar uma aeronave usada e deixá-la quase mais forte do que quando saiu da fábrica”, afirma a designer.

A parte mecânica também entra na lista. James Carroll, da equipe de vendas e aquisições da Duncan Aviation, explica que combinar as melhorias com a manutenção programada reduz o número de paradas do avião. Se a aeronave já ficará em solo para uma revisão importante, aproveitar a visita para pintura, interior ou aviônica devolve ao serviço um jato bem mais moderno, com mais eficiência.

Cuidado com a personalização excessiva

Carroll recomenda uma avaliação completa antes da compra: segundo ele, o segredo é começar com o avião certo. Nem toda mudança valoriza o jato, porém. O analista independente Rolland Vincent alerta que alterações muito personalizadas quase certamente reduzem o público interessado na revenda e o preço que a aeronave alcançará.

A tendência, por ora, convive com o mercado de jatos novos em vez de substituí-lo. “O que vemos é que os compradores têm mais de um caminho para cumprir sua missão”, diz Carroll. E os clientes parecem satisfeitos: um deles ligou para Larrañaga de dentro do jato renovado, com a equipe a bordo, para contar que conseguiram trabalhar durante toda a viagem de ida e volta, de oito horas, como se estivessem no escritório.

Para a leitora que acompanha o universo do luxo, o movimento mostra que o desejo por exclusividade também passa pela inteligência na compra. Com os prazos de entrega estendidos, a reforma de um jato seminovo vira uma forma rápida de ter um avião sob medida, e a cabine se transforma em extensão do escritório. Como resume Larrañaga, trata-se de ajudar as pessoas a fazer negócios em um patamar mais alto, “literal e figurativamente”.

Com informações de Robb Report.