Receber uma bolsa Louis Vuitton ou um look Prada em até 90 minutos, sem sair de casa. É essa a promessa do Instamall, aplicativo que estreia em Miami na segunda-feira e que quer ocupar o espaço entre a conveniência do e-commerce e a imediatez da loja física. A informação é da WWD.
O fundador e CEO, Elliot Aboud, resume a proposta sem rodeios: o que o Uber Eats fez pela comida há cinco anos, o Instamall quer fazer pela moda. No lançamento, o app reúne o estoque em tempo real das lojas locais de 80 marcas contemporâneas e de luxo, entre elas Louis Vuitton, Prada, Balmain, Bottega Veneta, Coach, Diesel, Reformation, Aritzia, Cult Gaia e Ganni.
Como funciona a entrega
O processo é simples. Depois que a cliente faz o pedido, uma vendedora da própria loja confirma a compra e deixa o item em um dos pontos de retirada do Instamall, instalados em shoppings da região. De lá, a peça segue por uma parceria exclusiva com uma das maiores empresas de entrega de última milha do mundo, que Aboud não quis nomear. O prazo é de 60 a 90 minutos.
O Instamall não mantém estoque próprio. O aplicativo já está integrado aos sistemas de inventário das marcas parceiras, o que, segundo o executivo, torna a expansão para novas cidades quase tão fácil quanto apertar um botão. A meta é cobrir a Flórida em dois ou três meses, chegar a Nova York, Los Angeles e Texas logo depois e alcançar boa parte dos Estados Unidos em seis a sete meses.
Modelo de negócio e dados dos clientes
Por ora, o serviço e a entrega são gratuitos para as compradoras, e o app não cobra dos varejistas, uma estratégia para gerar buzz. A empresa já planeja, porém, taxas de entrega e de conveniência, além de anúncios pagos dentro do app, nos moldes do Google Ads e do Instagram. Aboud brinca que a Alo vai querer aparecer acima da Lululemon, e esta, acima da Vuori. Já o estilista com inteligência artificial e o provador virtual passarão a exigir assinatura no futuro.
Um ponto que tende a agradar às marcas de luxo: o Instamall não pretende ser dono da relação com a cliente. Os dados de cada compra vão para o varejista e ficam na conta da consumidora, e programas de fidelidade devem ser integrados mais adiante.
A startup tem investidores de peso, segundo Aboud: a família de Stéphane Bianchi, diretor-geral do grupo LVMH, e a Cenomi Centers, operadora de shoppings da Arábia Saudita. O negócio nasceu da experiência do CEO na empresa da família, dona das marcas de fragrâncias Aroma360 e Hotel Collection. A equipe é enxuta, com sete a oito desenvolvedores em tempo integral, incluindo o diretor de tecnologia e cofundador, além de times de marketing, relações-públicas e redes sociais. Aboud afirma que a opção por uma estrutura pequena, construída sobre IA, é o que vai separar as empresas que prosperam das que ficam para trás.
Para quem acompanha o luxo, o movimento mostra que as grifes buscam novas formas de unir a experiência da loja à rapidez do digital sem abrir mão do controle sobre o cliente. Se o plano de expansão se confirmar, o varejo de moda americano pode ganhar um novo padrão de entrega, e o modelo tem potencial de inspirar iniciativas semelhantes em outros mercados, inclusive no Brasil.





