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Negócios

Gucci cai 6% no trimestre e a Kering estaciona em € 3,35 bilhões de receita

A Kering manteve a receita estável em € 3,35 bi no terceiro trimestre, mas a Gucci caiu 6% e ficou abaixo do esperado. Joalheria do grupo cresceu 11%.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 13h43 · 3 min de leitura
Gucci cai 6% no trimestre e a Kering estaciona em € 3,35 bilhões de receita
Arte: Novidades e Joias

O motor de crescimento da Kering perdeu embalo no terceiro trimestre. Gucci, a grife mais importante do grupo francês e sua principal fonte de lucro, registrou queda de 6% nas vendas a câmbio constante, resultado pior que os 5,4% de recuo projetados pelos analistas. O tropeço acontece em meio a uma desaceleração da demanda por luxo na China, que atinge todo o setor.

No total, a Kering faturou € 3,35 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões, em conversão aproximada) nos três meses encerrados em 30 de setembro. A receita ficou estável a câmbio corrente e recuou 1% em base comparável, um número um pouco melhor que a queda orgânica de 1,3% prevista pelo consenso do mercado. O grupo também é dono de Saint Laurent, Balenciaga e Boucheron.

O efeito Demna perde a novidade

A queda da Gucci veio depois de um segundo trimestre mais ameno, com recuo de 2%. Naquele período, as primeiras criações de Demna, diretor criativo da maison, chegaram às lojas em maior escala e deram fôlego às vendas. Agora, segundo a Kering, o impacto da novidade foi menos intenso.

A empresa afirma que o fluxo de clientes nas lojas continua sendo o principal obstáculo. Por outro lado, a conversão de visitas em compras, o preço médio e o tíquete médio melhoraram, impulsionados pela chegada gradual das novas coleções.

Joalheria brilha, e o setor segue pressionado

Houve boas notícias fora da moda. A divisão de joalheria da Kering cresceu 11% em base comparável, enquanto a de óculos avançou 4%. A área de corporativo e outros recuou 5%. Já a divisão de moda e artigos de couro, que a Kering não detalha mais por marca, teve queda de 3%.

O cenário ajuda a dimensionar o desafio. A divisão de moda e couro da LVMH recuou 5% no mesmo período, puxada pela forte desaceleração na China. E a Hermès, que divulgou resultados no mesmo dia, cresceu 4,3% a câmbio constante, o ritmo trimestral mais fraco em seis anos.

O CEO Luca de Meo, que já havia avisado que a recuperação não seria linear, disse que a receita reflete o calendário previsto, num ambiente macroeconômico mais fraco. Segundo ele, a retomada da Gucci segue como prioridade absoluta, e a transformação da Kering é um trabalho de várias temporadas. O grupo confirmou a meta de melhorar a margem operacional recorrente em 2026.

Há ainda uma reformulação criativa em curso: Anthony Vaccarello deixa a Saint Laurent e Seán McGirr sai da Alexander McQueen, e os sucessores ainda não foram anunciados. Para quem acompanha o mercado de luxo, os próximos nomes e a capacidade de Demna de sustentar o desejo pela Gucci depois da fase de novidade serão decisivos para saber se a virada da Kering é de fato consistente.

Com informações de WWD.