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Negócios

Moncler fecha o 3º tri estável em €605,5 milhões e aposta no verão em 2027

Grupo dono da Moncler e da Stone Island teve receita estável no trimestre, com a Ásia em alta, a Europa em queda e o clima no centro da conversa com analistas.

Redação Novidades e Joias
21 de outubro de 2026, 23h42 · 4 min de leitura
Moncler fecha o 3º tri estável em €605,5 milhões e aposta no verão em 2027
Arte: Novidades e Joias

O inverno mais quente também chega ao balanço das grifes. O Moncler Group, dono da Moncler e da Stone Island, registrou receita de €605,5 milhões no terceiro trimestre de 2026 (cerca de R$ 3,8 bilhões, em conversão aproximada), o mesmo patamar do ano anterior. Nos nove primeiros meses do ano, a receita do grupo subiu 6% e chegou a €1,9 bilhão (aproximadamente R$ 12 bilhões).

O resultado estável se explica sobretudo pela marca que dá nome ao grupo. A receita da Moncler recuou 1% no trimestre, para €499,6 milhões (cerca de R$ 3,1 bilhões). O canal de venda direta ao consumidor, as lojas próprias e o e-commerce, caiu 2%, enquanto o atacado cresceu 2%. A Stone Island seguiu na direção oposta: avançou 5%, para €105,9 milhões (perto de R$ 670 milhões), com crescimento nos dois canais. Analistas elogiaram o desempenho do grupo em um trimestre que chamaram de complicado para o setor.

Ásia sustenta a marca, e a Europa sente o calor

Por região, a Ásia foi o grande destaque da Moncler: alta de 5%, para €229,8 milhões (cerca de R$ 1,45 bilhão), com crescimento em todos os países e desempenho acima da média no Japão e na Coreia. Analistas notaram que a marca foge da tendência de outras grifes de luxo, que enfraqueceram entre consumidores chineses no período. Luciano Santel, diretor corporativo e de suprimentos do grupo, afirmou que a China continua sendo a base de clientes mais forte da Moncler, seja nas compras feitas em casa ou no exterior. O trimestre foi mais fraco que o segundo na região, mas a Golden Week, feriado chinês que caiu na primeira semana do quarto trimestre, superou a do ano anterior. “Uma semana em 13 não significa nada para o negócio, mas é muito importante para nós, porque mostra que a marca é forte na China”, disse Santel aos investidores.

Na Europa, Oriente Médio e África, a receita da Moncler caiu 9%, para €197 milhões (cerca de R$ 1,24 bilhão). Santel atribuiu o recuo em parte às temperaturas elevadas na entrada de setembro e à queda no fluxo de turistas asiáticos. Nas Américas, a alta foi de 2%, para €72,8 milhões. Na Stone Island, a Ásia cresceu 19%, para €26 milhões, a Europa ficou estável em €72,5 milhões e as Américas subiram 13%, para €7,3 milhões, impulsionadas pela venda direta.

O clima, aliás, voltou a dominar a teleconferência de resultados de quarta-feira. “O tempo é uma discussão sem fim”, disse Santel, que afirmou não gostar de tocar no assunto. Segundo ele, não é algo que preocupe particularmente a empresa, mas, objetivamente, parte da fraqueza no fluxo de clientes se deve às temperaturas, principalmente em setembro e outubro. Ele lembrou ainda o forte quarto trimestre do ano passado como sinal de confiança para o restante do ano fiscal de 2026.

Verão em foco e a vitrine da Quinta Avenida

Nem o presidente executivo, Remo Ruffini, nem o CEO, Bartolomeo Rongone, participaram da teleconferência. Ruffini enviou uma declaração: “Em tempos como estes, é importante permanecer rigoroso, com os pés no chão e, acima de tudo, focado na estratégia da nossa marca, guiado pela nossa visão de longo prazo”. Ele destacou a recente abertura da loja da Quinta Avenida, em Nova York, a maior da Moncler até hoje, e a campanha global Pioneers in Moncler, além da inauguração da loja da Stone Island em Roma.

Para 2027, o plano é investir no que a casa chama de produto mais leve, a coleção de verão, relevante também fora da temporada primavera/verão. Santel prometeu uma Moncler “muito intencional” no desenvolvimento e na comunicação da linha, com mais lojas recebendo a coleção completa de pré-verão e em maior profundidade. “O investimento no próximo ano será maior, e no seguinte, ainda maior”, afirmou. Para uma grife conhecida pelos casacos de inverno, diversificar as estações é uma forma de reduzir a dependência do clima, e o movimento deve ser acompanhado de perto pelo mercado.

Com informações de Vogue.