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Luxo

Smythson volta à Madison Avenue e quer dobrar de tamanho em até cinco anos

A grife britânica de papelaria e couro, fundada em 1887, reabre em Nova York após três anos e já estuda novas lojas nos Estados Unidos.

Redação Novidades e Joias
19 de outubro de 2026, 17h42 · 4 min de leitura
Smythson volta à Madison Avenue e quer dobrar de tamanho em até cinco anos
Arte: Novidades e Joias

A Smythson, tradicional casa britânica de papelaria de luxo, está de volta à Madison Avenue, em Nova York, e não pretende parar por aí. Três anos depois de fechar sua loja anterior no mesmo endereço nobre, a grife inaugurou no início de outubro um novo endereço e já estuda abrir outras lojas nos Estados Unidos. A meta, segundo o CEO Paolo Porta, é dobrar de tamanho em três a cinco anos.

Fundada em Londres em 1887 por Frank John Smythson, a marca é conhecida por papelaria, canetas e agendas e, mais recentemente, por bolsas e acessórios de couro. O ritmo atual de crescimento é impulsionado pela Iconic Brand Co., empresa que reúne marcas de luxo com tradição e que é controlada pelo fundo de private equity Oakley Capital. Com faturamento de 28 milhões de libras no último ano (cerca de R$ 200 milhões, em conversão aproximada), a Smythson ainda tem muito espaço para crescer.

A nova loja de Nova York

A boutique fica no número 575 da Madison Avenue, entre as ruas 56 e 57, e ocupa 1.400 pés quadrados (aproximadamente 130 m²). O projeto é do escritório Johnson Pinney Architects, com painéis curvos que separam cada categoria, marcenaria artesanal em carvalho europeu e detalhes em latão escovado. Do teto pende uma instalação da dupla Fung + Bedford: duas formas que lembram penas, inspiradas no origami e na marca-d’água do papel ultraleve da casa.

O espaço abriga ainda um salão de papelaria sob medida, o único fora de Londres. Consultores orientam a criação de papel de carta personalizado, cartões de visita, cartões de fim de ano e convites de casamento, enquanto artesãos estampam iniciais e motivos a ouro em agendas, cadernos e peças de couro.

Os preços vão de uma caneta de US$ 10 (cerca de R$ 55, em conversão aproximada) e um refil de esferográfica de US$ 17 a conjuntos de coquetel e chá e porta-joias entre US$ 3.000 e US$ 5.000 (de R$ 16 mil a R$ 28 mil, aproximadamente). Pastas, malas de viagem e bolsas de fim de semana custam de US$ 2.000 a US$ 3.000. Hoje, couro responde por 65% das vendas, e papelaria e livros, por 35%. Muitos títulos são voltados a hobbies, como jardinagem, adegas, receitas e esportes.

Os planos para os Estados Unidos

Os americanos formam o segundo maior mercado da Smythson, com menos de 20% da receita, atendido sobretudo pelo comércio eletrônico próprio. O Reino Unido responde por mais de 60%. A loja de Nova York é a única da marca no país, que também vende no atacado para a Bergdorf Goodman e para algumas lojas independentes. Porta afirma que a empresa avalia endereços como South Coast Plaza, na Califórnia, e Bal Harbour Shops, na Flórida, e diz ter visitado possíveis locais duas semanas antes da entrevista. Para ele, cabem quatro ou cinco pontos desse perfil, e não mais de 20 lojas no país, já que a marca é essencialmente urbana e não combina com os subúrbios.

Na Europa, a grife tem loja na Sloane Street e, desde julho, no aeroporto de Heathrow, além de espaços na Harrods, na Selfridges e na Liberty, em Londres, e presença na Le Bon Marché, em Paris. Entre as novidades de produto está uma coleção de papelaria, acessórios de viagem e de tecnologia criada com a equipe de Fórmula 1 Aston Martin Aramco.

Por que isso importa: em tempos de e-mail e redes sociais, Porta diz que as vendas de papelaria e agendas crescem de forma consistente há alguns anos, com a volta dos cartões escritos à mão. Ao apostar em lojas físicas, a Smythson mostra que o luxo discreto e artesanal ainda depende de tocar e sentir o produto, e que uma marca de 140 anos de história pode crescer sem perder a escala exclusiva.

Com informações de WWD.