Entre os destaques da Frieze Masters, em Londres, havia um aglomerado de diamantes brutos, alguns deles brilhando em azul fluorescente. A instalação imersiva da De Beers acompanhava a origem dos diamantes naturais e mostrou como a alta joalheria disputa espaço no circuito das artes.
As feiras gêmeas, Frieze London e Frieze Masters, aconteceram de quinta a domingo, no Regent’s Park, e receberam 95 mil visitantes de 108 países e regiões. Segundo os organizadores, o público de Índia e China continental mais que dobrou em relação a 2025. Também cresceram as visitas de Hong Kong, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e Brasil, além de Estados Unidos, Canadá, Alemanha e França.
O que as galerias venderam
Na Frieze Masters, a tela "Still Life of Flowers in a Stoneware Vase", de Jan Brueghel, o Velho, saiu por cerca de 5 milhões de libras (aproximadamente R$ 36 milhões, em conversão aproximada). Quatro pinturas de Alice Neel foram vendidas por valores entre US$ 1,6 milhão e US$ 1,8 milhão cada (algo entre R$ 8,8 milhões e R$ 9,9 milhões).
Na Frieze London, uma pintura nova de Michaël Borremans foi vendida por US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões). "Solver (v.3)", de Avery Singer, saiu por US$ 800 mil (cerca de R$ 4,4 milhões), e "Figure Composition", de George Condo, por US$ 600 mil (cerca de R$ 3,3 milhões). Um trabalho histórico em papel de Richard Serra foi negociado por US$ 750 mil (cerca de R$ 4,1 milhões). Um conjunto de obras em papel de Louise Bourgeois saiu por US$ 400 mil (cerca de R$ 2,2 milhões).
A moda ocupa a agenda
A Stone Island promoveu um jantar com menu assinado pelo chef Merlin Labron-Johnson no 40 Duke, o clube de membros da Selfridges. Net-a-porter e Erdem levaram convidados ao British Museum para um jantar e uma visita privada à Tapeçaria de Bayeux, apontada como o ingresso mais disputado da cidade. A Dunhill repetiu em Frieze Masters sua série anual de conversas, desta vez chamada "Breaking the Mould", sobre como arte, materiais e ideias do passado seguem moldando o presente, com Es Devlin, Grayson Perry e Paul Pfeiffer entre os convidados.
A aproximação foi além das duas feiras. A francesa Soeur patrocinou a feira de design PAD e vestiu a equipe de recepção com suas criações. A Dover Street Market abriu espaço para instalações, colaborações, marcas novas e lançamentos exclusivos. Na joalheria, a coleção Frankenstone, de Solange Azagury-Partridge, com pedras assimétricas e peças de cristal de rocha, esteve entre os destaques. Na Pimlico Road, a JW Anderson apresenta até 21 de outubro a mostra "A Composition", com 30 sinos de vento criados para a marca pelo artista conceitual Cerith Wyn Evans, um favorito de Jonathan Anderson.
Para a leitora brasileira, o dado mais relevante é o crescimento da presença do país numa feira que reúne colecionadores globais. Marcas de luxo sabem que o público das artes é o mesmo das joias e da alta moda, e por isso investem em experiências que unem os dois mundos. A tendência é que essa aliança, já visível em Londres, ganhe ainda mais força nos próximos calendários.





