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Estilo

Luis Estévez e Fernando Sánchez: os pioneiros hispânicos da moda americana

Um cubano que vestiu Betty Ford e Princesa Grace e um espanhol que levou a lingerie à alta moda: a história de dois nomes que marcaram Nova York e Los Angeles.

Redação Novidades e Joias
23 de outubro de 2026, 19h44 · 4 min de leitura
Luis Estévez e Fernando Sánchez: os pioneiros hispânicos da moda americana
Arte: Novidades e Joias

Um dos designers vestiu Lana Turner, Natalie Wood, as irmãs Gabor e a Princesa Grace de Mônaco. O outro transformou a lingerie em alta moda e levou a camisola para fora do quarto. Luis Estévez e Fernando Sánchez, dois criadores de língua espanhola formados na tradição da alta-costura, foram lembrados pelo arquivo da WWD como pioneiros que ajudaram a definir a moda americana.

Em 1990, a organização Hispanic Designers Inc. realizou sua sexta gala anual e desfile. Na noite, Estévez recebeu o prêmio pelo conjunto da obra, e Sánchez ficou com o prêmio MODA, em reconhecimento às suas contribuições. Naquela altura, os dois já tinham construído carreiras sólidas em Nova York e em Los Angeles.

Luis Estévez: de Havana a Hollywood

Nascido em Havana (1930-2014) e neto do magnata do açúcar Santiago Estévez, Luis chegou a Nova York no fim dos anos 1950. Estudava arquitetura quando um emprego de verão no departamento de vitrines da Lord & Taylor, então referência de modernidade no varejo, o levou para a moda. Os contatos sociais o conduziram a Paris, onde trabalhou e se formou com o couturier Jean Patou, conhecido pelo prêt-à-porter de luxo, pela malharia e pelos perfumes.

De volta a Nova York, em meados dos anos 1960 ele criou a marca Grenelle-Estévez, em sociedade com Fred e Robert Greenberg e Ben Papell. O showroom ficava no número 550 da Seventh Avenue, prédio histórico do Garment Center que impulsionou a carreira de nomes como Oscar de la Renta, seu amigo. Em 1967, mesmo com os negócios em alta, mudou-se para Los Angeles em busca de sol, brilho e vida social. “Eu queria a Havana da minha juventude”, contou à WWD.

Na Califórnia, a clientela incluía, além das estrelas já citadas, Merle Oberon, Betsy Bloomingdale e a então primeira-dama Betty Ford, que usava peças diretamente das coleções dele e, segundo Estévez, ajudou a ampliar a visibilidade da marca. Foi lá também que projetou La Vista, casa da família no alto de uma colina, e abriu seu ateliê e boutique sob medida em Montecito. A mudança, porém, não foi exatamente um bom movimento de carreira. Ele seguiu criando costura, prêt-à-porter, peles, acessórios e sapatos até se aposentar, nos anos 1990. Em 1976, resumiu sua filosofia: dizia pensar a moda a partir da realidade de quem a veste, e que não se importava em estar fora do gosto da turma mais descolada.

Fernando Sánchez: a lingerie como alta moda

Nascido na Espanha (1935-2006), Sánchez começou nas casas Maggy Rouff, Dior, a pedido do amigo Yves Saint Laurent, e Nina Ricci antes de seguir sozinho. Em 1966, disse à WWD que apenas “experimentara” a lingerie, categoria que acabaria sendo a base do seu legado. Chegou a Nova York no fim dos anos 1960 como designer das linhas de sutiãs e roupas de casa da Warners, com o próprio nome na etiqueta, privilégio raro. No mesmo período, assinou peles para a Revillon. Em 1973 lançou a marca que levava seu nome e, nos anos seguintes, fechou licenciamentos com Lily of France e Vanity Fair.

Entre suas assinaturas estavam o casaco bufante tricolor para ficar em casa e os slip dresses rendados que podiam virar roupa de noite. Ele aplicava ao colorido, ao animal print de leopardo e aos detalhes em prata e dourado um toque de diversão. Também desenhou moda praia, lingerie plus size e roupas de casa com o mesmo glamour. Segundo Tanya Wetenhall, ex-assessora de imprensa assistente, Sánchez trouxe sofisticação e construção ao loungewear, numa época em que a categoria era vista como algo à parte. Ela lembra que a mãe dele, o amor pelo Marrocos, filmes como “Amor, Sublime Amor” e a noite nova-iorquina o inspiravam. Para o próprio designer, a lingerie deve ser glamourosa e frívola, mas, antes de tudo, favorecer quem a usa.

Embora suas marcas não estejam mais em circulação, ambos foram reconhecidos pelo Coty Awards, pelo CFDA e pela Hispanic Designers Inc. Revisitar a trajetória deles importa porque a ideia de tirar a lingerie do boudoir, que Sánchez defendia, segue inspirando a moda hoje, enquanto o olhar de Estévez sobre vestir mulheres reais em seus próprios mundos ainda diz muito sobre o luxo contemporâneo.

Com informações de WWD.