Ir para o conteúdo
Estilo

Christie Brown volta a Lagos após oito anos com kente ewe e tons de cinza e bege

A grife de Gana apresentou a coleção de primavera 2027 na Nigéria, inspirada na ponte Adomi, com formas geométricas e paleta mais contida.

Redação Novidades e Joias
6 de novembro de 2026, 00h11 · 2 min de leitura
Christie Brown volta a Lagos após oito anos com kente ewe e tons de cinza e bege
Arte: Novidades e Joias

Oito anos separaram a última apresentação da Christie Brown em Lagos do desfile da última quinta-feira à noite. A marca de Gana voltou à metrópole nigeriana com a coleção de primavera 2027 e uma mudança visível: saem as cores vibrantes que sempre a definiram, entram tons mais sóbrios e experimentos com formas geométricas.

A estilista Aisha Ayensu, que assina a grife, não escondeu a alegria do reencontro com o público nigeriano. “Não é a nossa primeira vez aqui. Costumávamos desfilar bastante, então estamos animadas por voltar. Adoro a energia daqui, é contagiante”, disse. A volta faz parte do esforço da marca para se reaproximar do país vizinho.

Uma ponte como ponto de partida

A inspiração central da coleção é a ponte Adomi, na região Leste de Gana, construída pouco depois de o país conquistar a independência. Ayensu quis traduzir em roupa o clima de entusiasmo e otimismo que cercava a obra recém-inaugurada, e a arquitetura aparece nos recortes e nas formas geométricas das peças.

Para dar identidade local ao projeto, a estilista incorporou o kente ewe, tecido tradicional do povo ewe, que vive no sudeste de Gana. A proposta é usar um tecido de raiz ancestral em silhuetas modernas, e a principal ferramenta foi a cor: o brilho de antes cedeu espaço ao cinza e ao bege, como ela mesma explicou.

A mulher Christie Brown amadureceu

A última coleção que a grife levou a Lagos se chamava “She is King” (“Ela é rei”) e surgiu no fim da era do #girlboss. Ao olhar para trás, Ayensu enxerga semelhanças entre a primavera de 2019 e a de 2027, como os ombros marcados e os babados.

O que mudou, segundo ela, é a atitude de quem veste. “Estamos comprometidas em construir guarda-roupas aos quais você sempre volta. E é aqui que a mulher chegou agora. Ela é rei, mas de um jeito maduro. Não precisa provar tanto”, afirmou.

Por que isso importa: a coleção mostra uma marca africana que não abre mão da herança têxtil, mas ajusta a linguagem visual a um desejo cada vez mais claro de roupas duradouras e menos gritantes. A volta a Lagos também reforça o peso da cidade como vitrine para a moda do continente.

Com informações de Vogue.