Ir para o conteúdo
Estilo

Tommy Ton defende o vermelho da cabeça aos pés e o excesso de joias

Em coluna na Vogue, o fotógrafo de street style vê o vermelho virar ponto de partida do look e propõe empilhar colares, anéis e braceletes.

Redação Novidades e Joias
8 de novembro de 2026, 08h44 · 4 min de leitura
Tommy Ton defende o vermelho da cabeça aos pés e o excesso de joias
Arte: Novidades e Joias

O vermelho deixou de ser o detalhe que salva o look neutro e passou a ser o próprio look. A tese é de Tommy Ton, um dos primeiros fotógrafos de street style da moda, que estreou na Vogue americana uma coluna mensal em que analisa as roupas que chamaram sua atenção e explica por quê. O primeiro tema, publicado em 8 de novembro de 2026, é a cor que, segundo ele, a moda não consegue largar: a febre escarlate.

Ton lembra que associava o vermelho ao vestuário de noite, com certo ar glamouroso e até teatral. Essa fronteira praticamente desapareceu. Hoje a cor circula do look casual de dia ao conjunto de gala, e as versões mais interessantes, para ele, são as mais discretas.

Do acessório ao look completo

Não faz muito tempo, o vermelho entrava no guarda-roupa pela porta dos fundos: uma bolsa, um sapato ou um par de meias, a pontuação que deixava a produção mais pensada. Agora ele é o ponto de partida. O fotógrafo cita a jaqueta Harrington vermelha da Polo Ralph Lauren, o scarpin de bico em contraste da Chanel e um suéter vermelho de toque luxuoso amarrado casualmente na cintura, gesto que, segundo ele, leva uma faísca de cor ao jeans ou à alfaiataria.

Há ainda o monocromático total. Ton recorda o look vermelho dos pés à cabeça que desfilou na Celine de Michael Rider na última temporada e provocou, nas palavras dele, um suspiro quase coletivo. Para o fotógrafo, a cor deixou de ser acento e virou declaração. A graça está em variar texturas, proporções e tons: uma malha escarlate com calça combinando ou um anoraque cereja sobre um conjunto igualmente saturado. Depois de temporadas de paletas contidas e de luxo silencioso, vestir-se com mais convicção soa como respiro.

O tom muda o recado. O cereja tem um lado brincalhão, o escarlate carrega teatralidade e o oxblood, o vinho profundo, é a leitura mais sombria e discreta. A galeria da coluna reúne looks com peças de marcas como A.W.A.K.E. Mode, Mango, Loewe, Toteme, Zara, Prada e Magda Butrym, o que mostra que a febre vai do estilista de passarela ao varejo acessível.

Mais é mais: a defesa das joias em camadas

No segundo ensaio, Ton vira de ponta-cabeça um dogma da elegância, o conselho atribuído a Coco Chanel de olhar-se no espelho antes de sair e tirar um item. Ele propõe o oposto: acrescentar mais um colar, mais um anel, mais uma pulseira. Para o fotógrafo, a contenção virou sinônimo de sofisticação e o minimalismo corre o risco de se tornar uniforme, quando todo mundo usa o mesmo pingente de monograma ou a mesma fivela de cinto gigante.

A mulher que o encanta tem anéis em quase todos os dedos, punhos cheios de braceletes, colares em comprimentos diferentes e brincos que parecem conversar entre si. O melhor, diz ele, nunca parece calculado: uma corrente delicada com um pingente pesado, um anel de diamante ao lado de uma aliança de prata barata, uma broche cheio de berloques que tilinta a cada movimento. Nada precisa combinar, e o resultado parece coleção de uma vida, reunida ao longo do tempo, em lugares e fases diferentes. As imagens da coluna trazem joias de nomes como Renato Cipullo, Spinelli Kilcollin e Phoebe.

O recado final vale para a vitrine e para a gaveta de joias: nem tudo precisa ser versátil, atemporal ou sensato, e algumas peças merecem ser usadas só porque fazem a gente feliz. Se a febre escarlate e o apetite por acumular joias se confirmarem, a próxima estação promete menos regras e mais personalidade. Se for exagero, dá para tirar uma peça depois. Ton aposta que, muitas vezes, você não vai querer.

Com informações de Vogue.