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Empreendedoras

Carla Fonseca, CEO da Smiles: “Não existe estilo feminino de liderança”

À frente da Smiles desde 2022, Carla Fonseca fala sobre solidão no topo, crenças que desfez e a aposta em IA no programa de fidelidade da GOL.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 05h44 · 4 min de leitura
Carla Fonseca, CEO da Smiles: “Não existe estilo feminino de liderança”
Foto: Harpagornis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em um mundo corporativo em que apenas 5,2% dos cargos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres, Carla Fonseca, CEO da Smiles, recusa o rótulo de que existiria um “jeito feminino” de comandar. Em entrevista à Forbes Brasil, a executiva afirmou que mulheres e homens têm as mesmas capacidades e competências, e que separar estilos em caixinhas não funciona.

Fonseca assumiu o comando do programa de fidelidade da GOL Linhas Aéreas em 2022 e acompanhou de perto o pedido de recuperação judicial da companhia nos Estados Unidos, em 2024. Desde então, a Smiles segue relevante nos resultados do grupo, em meio à reestruturação da empresa-mãe. Os números do programa aparecem nos balanços da GOL, que em 2025 registrou receita operacional líquida consolidada de R$ 22,128 bilhões, alta de 44,35% sobre os R$ 15,330 bilhões de 2024.

Da liderança no grêmio ao comando da Smiles

Fonseca conta que nunca sonhou com a cadeira de CEO, mas sempre soube que queria liderar. Na adolescência, presidiu o grêmio estudantil, onde buscava patrocínios para o jornal da escola e ouvia os colegas. Antes de chegar ao topo, foi gerente de Produtos B2C e Canais de Relacionamento e diretora da Smiles Argentina, experiência que ela vê como um ponto de virada.

Na Argentina, foi responsável por criar o programa e construir uma marca em um novo país. A operação local começou em 2018, com o objetivo de adaptar o programa ao mercado argentino. Segundo a companhia, os clientes podem acumular e resgatar milhas para voar com a GOL e com parceiras internacionais.

Solidão no topo e crenças desfeitas

Em determinado momento, a executiva achava que, como mulher, precisaria adotar uma postura mais dura. Hoje, diz ter descoberto o oposto: o que importa é estar segura do que acredita. Ela também destaca a sorte de ter tido várias chefes mulheres no início da carreira, que enxergaram seu potencial, e afirma sentir a responsabilidade de mostrar a outras mulheres que é possível chegar lá.

Os dados reforçam o desafio. O Evermonte Institute, braço de pesquisa de uma consultoria de recrutamento de executivos, apontou que as CEOs brasileiras acumulam em média 2,79 MBAs e pós-graduações, contra 1,43 dos homens. No mundo, segundo o relatório Women in the Boardroom, da Deloitte, apenas 6% dos CEOs são mulheres.

Fonseca também fala sem rodeios da solidão do cargo. Quase todas as decisões que tomou como CEO ela já havia tomado como diretora, mas antes levava a solução ao líder e decidia em conjunto. Hoje, é ela quem define o caminho, e ninguém mais divide esse peso.

IA, personalização e cultura de startup

Na gestão de Fonseca, o aplicativo e o site da Smiles ocupam o lugar que o avião tem para uma companhia aérea: são o produto principal. A prioridade é a personalização, com apoio de inteligência artificial e análise preditiva de dados para criar vitrines de acordo com o perfil e o momento de navegação de cada usuário, de conteúdos educativos para recém-cadastrados a ofertas de voos e hotéis para clientes frequentes. A empresa também desenvolveu uma ferramenta com IA para a busca de passagens, que simplifica a escolha de datas, cabines e passageiros.

Outra frente é a parceria com outros ecossistemas financeiros e de fidelidade. Com a Livelo, a Smiles lançou o Milhas na Hora: quem busca um voo sem ter milhas suficientes pode trazer automaticamente os pontos da Livelo, sem sair do site. Mesmo com mais de 30 anos de história, a CEO diz manter um ambiente de startup, com a maior parte da equipe em tecnologia e negócios voltados a produtos.

A trajetória de Fonseca importa porque une dois debates atuais: a baixa presença feminina no comando das grandes empresas e a corrida pela personalização no consumo. Para ela, os resultados dependem do engajamento diário das equipes, e, além da competência técnica, ela busca gente com vontade de fazer diferença.

Com informações de Forbes Brasil.