Você viu um casaco impecável no look de uma amiga, mas não faz ideia da marca. Basta uma foto ou um print para o app Beni sair à procura da peça mais parecida em mais de 40 marketplaces de revenda. Em entrevista ao Sourcing Journal, veículo irmão da WWD, a fundadora e CEO Kate Sanner explicou como a plataforma quer tornar o garimpo de segunda mão tão simples quanto comprar em uma loja tradicional.
O app cobre roupas, calçados e acessórios, e seu lema, “Shop your style, secondhand” (algo como “compre o seu estilo, de segunda mão”), resume a aposta na personalização. Além da busca por palavras, marcas ou descrições, há o Beni Lens, ferramenta que transforma imagens em pesquisa. Quem navega em um site de varejo também pode usar a extensão para navegador, que sugere opções semelhantes no mercado de revenda.
O problema: garimpar dá trabalho demais
Segundo Kate, a ideia nasceu de uma frustração. Encontrar uma peça desejada em uma loja leva segundos, mas achá-la usada exige abrir várias abas, testar palavras-chave diferentes e vasculhar centenas de anúncios. Para ela, o estoque já existe, e o que faltava era facilitar o acesso. Com formação em marketing de consumo, a executiva afirma que pedir às pessoas uma escolha mais sustentável só funciona até certo ponto, porque a escolha precisa caber na vida real. Por isso, a proposta do Beni é tornar a revenda atraente por mérito próprio: mais qualidade, preços menores e acesso a itens que já não estão nas lojas.
Nos bastidores, a plataforma junta o estoque de mais de 40 marketplaces em um único catálogo. A tecnologia analisa as imagens junto com as descrições e os detalhes dos produtos, e os resultados podem ser filtrados por tamanho, marca e preço. Isso importa porque anúncios de revenda são pouco padronizados: dois vendedores podem descrever a mesma jaqueta de maneiras completamente diferentes. A busca visual contorna o problema, já que a usuária mostra o que procura sem precisar saber o nome exato.
Curadoria, redes sociais e busca que não para
O lado social também pesa. As usuárias podem montar uma vitrine própria com peças selecionadas e seguir outras curadoras, trocando achados e descobrindo itens que talvez nunca procurassem sozinhas. Para Kate, a revenda abre décadas de estilo e permite ir além do que as marcas vendem na estação, desenvolvendo um ponto de vista pessoal.
Há ainda a busca salva, em que o app continua procurando conforme o estoque muda. A meta, nas palavras da CEO, é que “conferir o Beni antes de finalizar a compra” se torne um gesto natural. Ela também separa dois momentos: “shopping” é explorar, colecionar inspirações e entender de qualidade, enquanto “buying” é comprar quando já se sabe o que se quer. O Beni quer dar espaço ao primeiro e facilitar o segundo, mesmo que a peça ideal leve tempo para aparecer na revenda.
Para o público brasileiro, o recado vai além de um aplicativo. A revenda de moda e de itens de luxo cresce justamente quando a descoberta fica mais fácil, e quem organiza um mercado fragmentado ganha relevância. Se a busca por imagem se consolidar como porta de entrada, brechós e plataformas de segunda mão podem passar a competir de igual para igual com o varejo tradicional.



