Uma bolsa de grife pode custar de US$ 875 a US$ 5 mil (cerca de R$ 4.800 a R$ 27.500, em conversão aproximada) e, ainda assim, ser uma das compras de moda mais racionais do guarda-roupa, desde que seja a escolhida certa. É isso que a Vogue propõe em uma seleção de 22 modelos pensados para atravessar temporadas, e não apenas para viralizar.
A lógica parte da história. A Gucci Jackie nasceu nos anos 1960 e foi adorada por Jacqueline Kennedy Onassis. A Lady Dior virou ícone do estilo dos anos 1990 graças à princesa Diana. Já a Baguette, da Fendi, sobreviveu ao auge de bolsa-desejo do início dos anos 2000 e conquistou uma nova geração mais de duas décadas depois. Para a revista, o fôlego dessas peças mostra que um bom design supera mudanças de gosto e até trocas de direção criativa.
O que faz uma bolsa durar
Segundo a publicação, as apostas mais promissoras têm pontos em comum: proporções práticas, detalhes que as distinguem e versatilidade. Com um investimento de quatro dígitos em dólares, a bolsa precisa se encaixar no armário que a leitora já tem, e não exigir um novo. Também deve funcionar do jantar ao trabalho, e até no supermercado, com acabamento capaz de resistir a anos de uso.
Entre os clássicos revividos, a Chloé Paddington (US$ 2.990, cerca de R$ 16.400) foi a bolsa de meados dos anos 2000, com formato desestruturado e cadeado enorme, usada de Kate Moss a Sienna Miller. Voltou em 2025 pelas mãos da diretora criativa Chemena Kamali, em vários tamanhos e cores. A Balenciaga Le City, favorita das gêmeas Olsen, de Nicole Richie e de Lindsay Lohan, retornou em 2024 com proporções renovadas (a versão pequena custa US$ 2.590, cerca de R$ 14.250). Muitas fãs também buscam modelos vintage em sites de revenda como eBay e Vinted.
A Gucci Jackie Slim (US$ 2.450, cerca de R$ 13.500) segue o desenho hobo de sempre, em versões compactas, em tons intensos ou neutros. A Loewe Puzzle, primeira bolsa de Jonathan Anderson na casa, conquistou o mundo da moda com painéis que lembram origami. Hoje, com Jack McCollough e Lazaro Hernandez, fundadores da Proenza Schouler, na direção criativa, continua como pilar da marca. A aposta mais elegante, diz a Vogue, é o tamanho clássico em preto ou bege. Já a Loewe Amazona 180, de linhagem mais clássica, sai por US$ 4.900 (cerca de R$ 27 mil).
Novas apostas e opções mais acessíveis
Entre as recém-chegadas, a Miu Miu Aventure, lançada no outono de 2024, reinterpreta uma bolsa de médico do acervo de 2009, com linhas curvas e fecho de gancho. Já virou um dos modelos mais populares da marca, em materiais que vão do couro nappa ao camurça. A Prada Passage estreou só na passarela da primavera de 2026, mas seu desenho arquitetônico e levemente assimétrico, com efeito de bolsa dentro da bolsa, já tem cara de clássico moderno.
A The Row aposta no minimalismo com a Agnes, inspirada em bolsas de boliche vintage, com alças tubulares, base reta e zíper amplo, sem logos nem ferragens chamativas. O modelo Agnes 15 custa US$ 5 mil (cerca de R$ 27.500). A Khaite reinterpreta a bolsa em formato de caixa com a Blake, e a Balenciaga Rodeo, de inspiração em maletas antigas, pode ser carregada na mão, no ombro ou a tiracolo. A opção mais acessível é a Coach Empire, que a redação da Vogue vê em pelo menos três mesas ao mesmo tempo. O modelo Soft Empire carryall 48 custa US$ 950 (cerca de R$ 5.200), e a revista indica o tamanho 40 para o dia e o 35 para a noite.
Por que isso importa: em um mercado que lança uma nova bolsa-desejo a cada rolagem de feed, a seleção lembra que valor de longo prazo vem de design, material e versatilidade. Para a consumidora brasileira, que paga mais caro por esses itens por causa de impostos, a lição é ainda mais valiosa: escolher menos e escolher bem, seja um ícone de décadas, seja uma estreante com cara de clássico.





