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Negócios

Aritzia cresce 44,1% e lidera varejistas de moda com ganhos de dois dígitos

Aritzia, Ralph Lauren, Coach, Aerie e Uniqlo vão na contramão do varejo com alta de dois dígitos nas vendas. Veja o que explica o fenômeno.

Redação Novidades e Joias
23 de outubro de 2026, 19h18 · 4 min de leitura
Aritzia cresce 44,1% e lidera varejistas de moda com ganhos de dois dígitos
Arte: Novidades e Joias

Em um varejo de moda que anda de lado, uma marca canadense chama atenção: a Aritzia teve alta de 44,1% nas vendas do segundo trimestre. É o maior salto de um grupo de varejistas especializadas que, segundo a WWD, vive um ano raro, com crescimento de dois dígitos mesmo em meio a incertezas econômicas e ao aperto no bolso do consumidor americano causado por alimentação, combustível, moradia e saúde mais caros.

Na lista aparecem também a Aerie e a Coach, ambas com alta de 25% no último trimestre, a Ralph Lauren (17%), a Urban Outfitters (13,7%) e a marca Gap (10%). A Uniqlo, controlada pela Fast Retailing, cresceu 34,6% na América do Norte no ano fiscal encerrado em 31 de agosto, e o grupo todo avançou 16,6% no período. A sueca Toteme, posicionada entre a moda contemporânea e a de grife acessível, completa o grupo. Executivos dessas empresas indicam que o ritmo continuou no terceiro trimestre e deve alcançar as vendas de fim de ano.

Luxo cotidiano e produto de qualidade

Para Adrienne Lazarus, veterana do setor que já presidiu marcas como Madewell e Bandier, o fio condutor é a migração de consumidoras para um luxo mais acessível. No caso da Aritzia, o lema é o “luxo do dia a dia”. Ao visitar a loja do shopping The Westchester, em White Plains, no estado de Nova York, ela encontrou casacos, suéteres de luxo, cardigãs de cashmere, blusas, saias e calças de alfaiataria, além de roupas casuais e puffers, em uma loja cheia de clientes de todas as idades.

Lazarus aponta que as categorias mais aquecidas são as do retorno ao escritório: blazers, alfaiataria, conjuntos, cardigãs e saltos baixos. Ela lembra ainda que a Zara, que registrou alta de 9% no segundo trimestre, tem dito que o caminho não é a corrida para baixo nos preços, e sim a construção de peças melhores, pelas quais a cliente aceita pagar. Segundo ela, as marcas vencedoras são as que se mantêm fiéis à própria identidade: o público quer que a Polo seja a Polo e a Levi’s seja a Levi’s.

William Susman, da Cascadia Capital, resume o momento em três pontos: a vontade do consumidor americano de comprar mais, o equilíbrio entre qualidade e valor percebido e a execução cuidadosa dos detalhes do varejo. Sobre a Ralph Lauren, ele destaca o apelo de estilo de vida que vai do café Ralph’s Coffee ao restaurante Polo Bar e à linha principal Polo Ralph Lauren. Segundo ele, o dinheiro vem da etiqueta principal, e não da Purple Label, a mais cara e luxuosa da casa. Já a Gap, diz, voltou a dar motivos para ser lembrada, com produto, comunicação e apresentação nas lojas e no on-line.

Quem ficou para trás

Nem todo o setor acompanha o embalo. Lululemon, J.Crew, Nike, Athleta e Old Navy têm tido desempenho abaixo do esperado, enquanto a Allbirds fechou todas as lojas e a Francesca’s entrou em liquidação. Segundo Lazarus, as campeãs estão roubando participação de mercado, já que o mercado total cresce, na melhor das hipóteses, um dígito baixo.

Craig Johnson, da Customer Growth Partners, explica que quem se destaca costuma ser o varejo de faixa mais alta, que combina valor, novidade e uma “elegância casual”, mirando consumidoras de renda elevada, mas não necessariamente o topo da pirâmide. Na Urban Outfitters, o motor são Free People, Anthropologie e Nuuly, enquanto a marca que dá nome ao grupo melhora após a reestruturação. Jennifer Foyle, da Aerie e da American Eagle, defende a criação de marcas próprias em vez de colaborações: “Às vezes você se destaca fazendo o que a concorrência não faz”, afirmou.

Para a leitora brasileira, o recado vale também para o nosso mercado: em tempos de bolso apertado, a aposta em qualidade, identidade clara e peças duráveis, com preço percebido como justo, é o que sustenta o crescimento de marcas de moda e de luxo acessível.

Com informações de WWD.