Em frente a Mar-a-Lago, do outro lado da Intracoastal Waterway, em West Palm Beach, um edifício de 19 andares terá apenas 39 residências. É o Maison d’Or, na South Flagler Drive, lançado em janeiro. Ele resume uma mudança em curso no mercado de altíssimo luxo do sul da Flórida: depois de anos de anúncios de superarranha-céus, o desejo dos super-ricos parece estar migrando para prédios menores e mais exclusivos.
A Forbes Brasil aponta três empreendimentos nesse movimento, em pontos opostos da região. Além do Maison d’Or, há o Kempinski Residences Miami Design District e o Ritz-Carlton Residences Fort Lauderdale Beach. Os três são enxutos diante do padrão local, onde muitos projetos passam de 300 unidades, com complexos gigantescos de lazer e milhões de dólares investidos em engenharia para que as estruturas resistam aos furacões.
Três endereços, uma mesma ideia
O Kempinski Residences Miami Design District marca a estreia nos Estados Unidos da tradicional rede hoteleira europeia. Serão 120 residências em duas torres de altura intermediária, a poucos passos de um dos distritos com maior concentração de marcas de luxo do país.
Já o Ritz-Carlton Residences Fort Lauderdale Beach ocupará cerca de 122 metros de frente para a Intracoastal Waterway. O projeto terá 83 residências personalizadas em dois edifícios de 13 andares, com vistas desimpedidas para o Atlântico. Fica a poucos quarteirões da praia e do MAASS, único restaurante de Fort Lauderdale com estrela Michelin.
Nenhum deles é “pequeno” em preço ou em cuidado com os detalhes. A lógica, segundo a publicação, lembra a de marcas como Patek Philippe e Pagani: produção artesanal, oferta restrita, compradores de elite e uma janela limitada para entrar num grupo seleto. Na prática, isso significa localizações escolhidas a dedo, residências com dimensões de mansão e serviço comparável ao de restaurantes estrelados.
“Cada residência importa”
Para Ed Jahn, vice-presidente sênior da Kolter Urban, que desenvolve o Maison d’Or com a Perko Development Partners, o comprador sofisticado quer um estilo de vida, e não apenas uma fatia do boom imobiliário. “Eles não estão necessariamente procurando o maior edifício ou a marca mais reconhecida na fachada. Buscam uma residência que reflita a maneira como querem viver”, afirma.
Dan Riordan, diretor de vendas e sócio sênior da Perko, completa: com menos unidades, é possível priorizar plantas mais amplas, maior distância entre as residências e áreas de lazer pensadas para os moradores. “Com menos unidades, não podemos depender apenas da escala para entregar valor. Cada residência importa”, diz. O nome do projeto, Maison d’Or, significa “Casa de Ouro” em francês. A inspiração vem dos estilos mediterrâneo e regencial e dos anos dourados de Palm Beach.
Por que isso importa: o mercado da Flórida vive de ciclos rápidos de alta e baixa, e quando incorporadoras experientes mudam de escala ou de área, costuma ser sinal de que a demanda está mudando. Se a tendência se confirmar, o próximo símbolo de status em Miami e arredores talvez não seja o prédio mais alto do skyline, mas aquele com poucas portas e muita atenção a cada uma delas.





