A Shein concordou em pagar US$ 100 milhões (cerca de R$ 550 milhões, em conversão aproximada) para encerrar uma investigação da Federal Trade Commission, a FTC, órgão americano de defesa do consumidor. O foco foram atrasos nas entregas, confirmações de entrega contestadas e falhas no atendimento ao cliente. A informação foi divulgada primeiro pela Reuters e confirmada pelo portal WWD.
Em nota, um porta-voz da empresa disse que a Shein chegou a “um desfecho construtivo com a FTC” e que mais informações serão divulgadas em breve.
Um peso e tanto no lucro
O valor equivale a quase 44% do lucro da companhia no segundo trimestre, que caiu 67% em relação ao ano anterior e ficou em US$ 228 milhões (cerca de R$ 1,25 bilhão). A empresa tem sede em Singapura e já havia avisado o mercado sobre o risco. No pedido de abertura de capital em Hong Kong, apresentado em julho, ela afirmou que o resultado da investigação, fosse por acordo ou não, poderia exigir pagamentos relevantes, com efeito adverso material sobre sua situação financeira.
As ações refletem o momento delicado. Os papéis acumulam queda de cerca de 22% desde o preço do IPO, de HK$ 48,56 (aproximadamente US$ 6,19, ou R$ 34). Pesam sobre o preço a pressão regulatória, os resultados mais fracos e os custos logísticos mais altos.
Segundo a Reuters, consumidores fizeram mais de 12 mil reclamações sobre a Shein, envolvendo mais de US$ 11 milhões em compras (cerca de R$ 60 milhões), entre janeiro de 2020 e junho de 2026. Em vários relatos enviados à FTC e ao Better Business Bureau, clientes disseram que não receberam pedidos marcados como entregues e que o atendimento não resolveu o problema.
Cerco regulatório se fecha
O acordo não é o primeiro revés. Na França, a marca foi multada em 40 milhões de euros (cerca de US$ 45 milhões, ou R$ 250 milhões) por descontos enganosos. Na Califórnia, fechou um acerto de US$ 700 mil (cerca de R$ 3,9 milhões) por não enviar pedidos no prazo e por não dar os avisos de atraso nem oferecer reembolso, como exige a lei.
A FTC tem histórico de punir varejistas de moda por práticas enganosas. Em 2020, a Fashion Nova aceitou pagar US$ 9,3 milhões (cerca de R$ 51 milhões) por atrasos nas entregas e por oferecer vale-presente no lugar de reembolso. Em 2023, a Hey Dude fechou um acordo de US$ 1,95 milhão (cerca de R$ 11 milhões) por falhas nos avisos de envio e por suprimir avaliações negativas. Em 2015, Backcountry.com, Bed Bath & Beyond, J.C. Penney e Nordstrom somaram US$ 1,3 milhão em multas por rotular produtos de raiom como “bambu”. A agência também segue de olho em alegações falsas de “Feito nos EUA”, como as da Oak Street Bootmakers.
Para a leitora brasileira, que também compra da Shein e de outras plataformas de moda rápida, o caso mostra que prazo de entrega e atendimento deixaram de ser detalhe e viraram ponto de fiscalização. Para a Shein, a questão agora é como equilibrar o crescimento global, os custos de logística e a confiança dos consumidores num momento em que os reguladores observam cada passo.





