Enquanto parte do mercado de luxo desacelera, a Hermès continua vendendo bolsas em ritmo forte. A grife francesa registrou receita de € 4,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (cerca de R$ 24,6 bilhões, em conversão aproximada a R$ 6 por euro), alta de 4,3% sobre o mesmo período de 2025, descontados os efeitos da variação cambial. Quem puxou o resultado foi a divisão de artigos de couro e selaria, que cresceu 10,8% e chegou a € 1,91 bilhão (aproximadamente R$ 11,5 bilhões).
No acumulado de janeiro a setembro, a receita somou € 12,26 bilhões (cerca de R$ 73,6 bilhões), crescimento de 5,5% a câmbio constante. Em valores reportados, a alta foi menor, de 2,9%, porque as oscilações das moedas pesaram cerca de € 310 milhões (algo próximo de R$ 1,9 bilhão) na conta. O terceiro trimestre respondeu por cerca de um terço do total do período.
As Américas aceleram, e a Ásia fica no mesmo lugar
Geograficamente, o destaque foi o continente americano. A região faturou € 791 milhões no trimestre (cerca de R$ 4,7 bilhões), com alta de 8,8%. Até setembro, a receita das Américas chegou a € 2,38 bilhões, um avanço de 13,1% sobre o ano anterior, também sem o efeito cambial. A Europa, excluindo a França, cresceu 9% nos nove primeiros meses, e o mercado francês avançou 2,4%. O Japão subiu 10,5% no acumulado.
Na Ásia, excluindo o Japão, o cenário foi mais morno. A receita ficou estável no trimestre, em € 1,65 bilhão (cerca de R$ 9,9 bilhões), e cresceu 1,6% de janeiro a setembro, para € 5,18 bilhões. Segundo a empresa, a Grande China, que reúne China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan, manteve vendas estáveis no ano, e a Coreia do Sul ajudou o desempenho regional. No Oriente Médio, que a Hermès inclui na categoria “Outros”, a receita caiu 4,5% no trimestre e 4,3% no acumulado, para € 479 milhões.
Bolsas puxam o resultado; relógios e roupas recuam
A divisão de couro e selaria reúne bolsas femininas e masculinas, artigos de viagem, pequenos artigos de couro, selaria e produtos equestres. Ela somou € 5,67 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) até setembro, o que representa quase metade da receita total da marca. Para sustentar essa demanda, a Hermès inaugurou em abril seu 25º ateliê de couro, em Loupes, na França, e prevê abrir outras três unidades no país até 2030.
Outras divisões tiveram desempenhos distintos. Seda e tecidos cresceram 7% nos nove primeiros meses, para € 683 milhões, e joias e produtos para a casa avançaram 3,3%, para € 1,55 bilhão. Perfumes e beleza faturaram € 128 milhões no trimestre, alta de 7,5%, embora o acumulado ainda recue 0,7%, para € 361 milhões. Já o prêt-à-porter e os acessórios somaram € 1,14 bilhão no trimestre, queda de 2%, e os relógios renderam € 125 milhões, retração de 6%.
O resultado ajuda a medir o apetite por luxo de altíssimo padrão num momento de incerteza econômica, monetária e geopolítica. A Hermès manteve sua meta de crescimento de receita no médio prazo, sem considerar o câmbio. No primeiro semestre, o lucro operacional recorrente foi de € 3,35 bilhões, 41% da receita, e o lucro líquido atribuível ao grupo ficou em € 2,24 bilhões, com margem de 27,4%. O próximo capítulo vem em 12 de fevereiro de 2027, quando a marca divulga os resultados anuais de 2026.





