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Negócios

David’s Bridal quer abrir o capital da Pearl, braço digital avaliado em US$ 350 milhões

Divisão de planejamento de casamentos com IA ficaria com a marca David's Bridal, enquanto as lojas seguem com a Cion. Valor: US$ 350 milhões.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 15h38 · 4 min de leitura
David's Bridal quer abrir o capital da Pearl, braço digital avaliado em US$ 350 milhões
Arte: Novidades e Joias

A marca de noivas mais conhecida dos Estados Unidos pode ficar de um lado, e suas lojas, de outro. A David’s Bridal e a K&F Growth Acquisition Corp. II, uma SPAC (empresa de aquisição de propósito específico, criada para abrir o capital de outra companhia), assinaram uma carta de intenções não vinculante para transformar a Pearl em uma empresa independente de capital aberto. A divisão digital seria avaliada em US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão, em conversão aproximada). E ficaria com o nome David’s Bridal e toda a propriedade intelectual da marca.

Pela proposta, a operação de varejo, ou seja, as lojas, continuaria nas mãos da Cion Investment Corporation, maior acionista da rede. A David’s Bridal deve permanecer como acionista relevante da Pearl. Segundo as empresas, as lojas funcionarão normalmente, sem mudanças nos atendimentos, nos produtos ou na experiência das noivas e convidadas, tanto nas unidades físicas quanto online.

O que é a Pearl

A Pearl reúne uma plataforma de planejamento de casamentos com inteligência artificial, um marketplace e uma operação de mídia digital. Seu ecossistema tem três frentes: o Pearl Planner, que personaliza orçamento, cronograma, listas de tarefas e fornecedores; o Pearl Connect, que ajuda a organizar e agendar compromissos com profissionais do setor; e o LoveStories TV, com programação original, canal no YouTube, blogs e redes sociais voltados à inspiração de noivas. A receita vem de publicidade e mídia, anúncios de fornecedores e assinaturas, comércio e marketplaces, além de licenciamento e parcerias de marca.

Os números divulgados pela própria empresa chamam atenção. A Pearl estima que 90% das noivas americanas interajam com seu ecossistema e relata cerca de 13 bilhões de impressões e interações por ano com as marcas David’s Bridal e Pearl. A rede de conteúdo soma 30 milhões de espectadores mensais e 8 milhões de seguidores em redes sociais, e o e-commerce recebe 60 milhões de visitantes por ano. Para 2026, a projeção é de margem Ebitda acima de 30%. Para 2027, de crescimento de receita superior a 100%, a mais de US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 460 milhões). A empresa também prevê terminar a operação sem dívidas.

Os termos do negócio

A avaliação equivale a cerca de 9,3 vezes o Ebitda projetado da Pearl para 2027, considerando que nenhum acionista da K&F peça resgate. A carta de intenções prevê ainda um aporte privado em ações (PIPE) de US$ 75 milhões (cerca de R$ 410 milhões), com possibilidade de ampliação. A Cion propôs investir US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 135 milhões). A K&F, que fez sua oferta pública inicial em fevereiro de 2025 e levantou US$ 287,5 milhões (cerca de R$ 1,55 bilhão), fará uma assembleia extraordinária em 3 de novembro para estender o prazo de conclusão de uma combinação de negócios, de 6 de novembro de 2026 para 7 de fevereiro de 2028. A transação ainda depende de auditoria, acordo definitivo, aprovações dos conselhos e acionistas e autorizações regulatórias.

No comando, Kelly Cook, CEO da David’s Bridal desde 2019 e com passagem por transformações de grande porte na Continental Airlines e na DSW, deve assumir a Pearl. Elina Vilk, hoje presidente e diretora de negócios, com histórico em Meta, PayPal, Hootsuite, WooCommerce e Visa, seria a presidente. A rede abrirá uma busca por novo CEO. Cook definiu o momento como um marco nos 75 anos da marca. Para Dan Fetters, co-CEO da K&F, a Pearl combina lucratividade estabelecida, alto potencial de crescimento e balanço sem dívidas.

Por que isso importa

A David’s Bridal declarou falência pela segunda vez em 2023, mas seguiu operando depois que a Cion comprou uma participação relevante. Agora, a empresa tenta valorizar o ativo mais escalável: a marca e a audiência digital, em um mercado de casamentos que a companhia, citando a Grand View Research, estima em quase US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bilhões) nos Estados Unidos neste ano. Cerca de 2,1 milhões de casais se casaram no país em 2024, segundo dados oficiais citados pela empresa. Para quem acompanha o setor nupcial, o movimento sinaliza uma aposta: no futuro, o planejamento do casamento pode valer tanto quanto o vestido. Conversões feitas com dólar a cerca de R$ 5,40.

Com informações de WWD.