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Luxo

Mandarin Oriental Punta Negra abre em Maiorca com 131 quartos e 21 artesãos locais

Primeiro hotel da rede nas Baleares, o Punta Negra aposta em design de Laura Gonzalez, arte local e vidro soprado artesanal para mostrar outra Maiorca.

Redação Novidades e Joias
22 de outubro de 2026, 00h40 · 4 min de leitura
Mandarin Oriental Punta Negra abre em Maiorca com 131 quartos e 21 artesãos locais
Arte: Novidades e Joias

Vinte e um artesãos locais foram convidados a criar obras para a inauguração do Mandarin Oriental Punta Negra, resort que abriu em junho de 2026 na costa sudoeste de Maiorca, na Espanha. É o primeiro endereço da rede nas Ilhas Baleares e já nasce com uma ambição clara: unir o serviço internacional que a marca construiu pelo mundo a um senso genuíno de lugar.

O hotel fica perto de Puerto Portals, marina cercada de iates de luxo e conhecida por reunir algumas das lojas e experiências gastronômicas mais sofisticadas da ilha. A propriedade ocupa um trecho reservado de promontório, onde pinheiros-de-alepo cobrem enseadas rochosas e o Mediterrâneo azul-cerúleo se estende até o horizonte. No mesmo terreno funcionava o antigo Hotel Punta Negra, agora transformado em um refúgio amplo, mas surpreendentemente intimista.

Design francês e arte da ilha em cada canto

São 131 quartos e suítes distribuídos em quatro edifícios integrados à paisagem. Cada um se inspira em um elemento do entorno: mar, alma, vento e pinheiro. A assinatura dos interiores é da designer francesa Laura Gonzalez, que usou materiais naturais, tons litorâneos e pedra local lavada. A consultora de arte Paloma Fernandez-Iriondo comandou a encomenda aos 21 artesãos. Entre eles está Vera Edwards, autora de 44 pinturas a óleo para os quartos, que descobriu que um mosaico de sua bisavó decorava as paredes originais do hotel nos anos 1960. No lobby, os murais coloridos do pintor hispano-mexicano Rafael Uriegas dão as boas-vindas.

As acomodações em formato de casita se inspiram nas casas de pescadores, com terraço privado de frente para o mar. A suíte descrita pela jornalista da Vogue se chama Almendra, e outras levam nomes de ervas e frutos que florescem pela propriedade. Os hóspedes têm acesso a duas calas, as pequenas enseadas de Maiorca, e figueiras e romãzeiras margeiam os caminhos.

A arte também se estende para fora das paredes. O hotel firmou parceria com a galeria internacional de arte contemporânea Villa del Arte para um programa de exposições que vai de um espaço interno aos jardins e terraços. Há esculturas de bronze de grande escala da dupla Coderch & Malavia e tapeçarias macias e texturizadas de Vanessa Barragão, feitas com técnicas ancestrais. Os hóspedes podem fazer visitas guiadas privadas e comprar peças.

Vidro soprado, moda e perfume pela ilha

Dentro do circuito que o hotel já construiu com a cena local, destaca-se a Vidrios de Arte Gordiola, vidraria histórica no interior da ilha. Segundo a matéria, seus fornos são os únicos de Maiorca a trabalhar com lenha local, e a prática segue protegida pela Unesco. Famílias de várias gerações ainda usam técnicas quase perdidas, e os copos em topázio e turquesa da Gordiola servem os restaurantes e bares do resort. Vale o nome de Mar Bermejo Aldeguer, que cresceu em uma fábrica de vidro da família e lançou em Madri a La Bermeja, marca de objetos modernistas que inclui até buquês de noiva de vidro soprado.

Em Palma, o cruzamento entre ofício tradicional e design contemporâneo aparece nas lojas independentes do centro histórico. A Cortana, marca da estilista Rosa Esteva, ocupa um casarão restaurado onde linhos e sedas em tons terrosos convivem com uma exposição de cerâmica e escultura no subsolo. Esteva também investiu na retomada do cultivo de cânhamo na ilha. Há ainda a Carmina Shoemaker, que faz calçados à mão desde 1866, e a Monge, com artigos de couro e uma seleção enxuta de marcas. Para fechar, um workshop de perfumaria no ateliê Viti Vinci, que trabalha com botânicos nativos da ilha: o resultado da autora foi um perfume de amêndoa amarga, cardamomo e patchouli.

Por que isso importa: o Punta Negra reflete uma mudança no luxo hoteleiro, em que o diferencial deixa de ser só o spa e a vista e passa a ser a capacidade de contar a história de um destino por meio de quem o faz. Para a viajante brasileira que já conhece as praias de Maiorca, o hotel e a Palma dos ateliês indicam um novo roteiro, mais voltado ao artesanato, à arte e às compras com assinatura.

Com informações de Vogue.