Velas apoiadas em pães empilhados, folhas cobertas de geada que parecem cristais e o primeiro frango assado da temporada: é com gestos simples assim que a escritora Lisa Przystup marca o outono em sua casa de campo, no oeste das montanhas Catskills, no interior do estado de Nova York. Ela reuniu esses rituais em Once Around the Sun, livro que acaba de chegar e que a Vogue americana apresentou como um verdadeiro guia de campo para quem sonha em trocar a cidade pelo campo.
O subtítulo da obra resume a proposta: rituais sazonais, receitas e histórias de uma casa no interior. O livro segue a lógica de um almanaque e acompanha um ano na vida da autora, com fotografias da dupla de marido e mulher Kate Foster e John Hesselbarth.
Da floricultura ao interior de Nova York
Przystup é redatora de design e ex-florista, com colaborações para Domino, Vogue e New York magazine, entre outros veículos. Também assina Upstate: Living Spaces with Space to Live. Em 2016, ela e o marido, o músico Jonathon Linaberry, compraram a casa de fazenda nas Catskills. Depois de se mudarem de Nova York, aprenderam o ritmo da vida no interior e criaram tradições para cada estação.
No verão, ela cultiva tomates, cozinha em uma grelha de pedra, nada, colhe flores e até come flores de lírio-de-um-dia recheadas. Com a chegada do outono, os rituais ficam mais aconchegantes e migram para dentro de casa, sem perder o encanto do ar frio e da geada sobre as folhas. O livro traz ainda arranjos de flores para todas as épocas do ano e ideias para trazer a natureza selvagem para a decoração.
“O outono tem uma melancolia muito bonita”, disse Przystup à Vogue. Despedir-se do verão não é fácil, e é justamente aí que os rituais ajudam: segundo ela, esses gestos injetam “certa dose de magia” nas transições difíceis, com o pôr do sol mais cedo e as temperaturas em queda. Na introdução, ela escreve que viver dentro das fronteiras das estações funciona como um “ensaio geral para o desapego”, uma chance de aceitar o caráter passageiro das coisas e, por isso mesmo, valorizá-las.
Os rituais de outono da autora
Para Przystup, o outono começa de fato com o primeiro frango assado da estação, prato quente e nutritivo que aquece a cozinha e o ânimo. O marido, diz ela, dominou a receita. Abóbora, abóboras delicadas, sabugueiro e maçã aparecem tanto no cardápio quanto na decoração.
Na mesa posta, ela usa pães empilhados como castiçais. A autora admite que a ideia não é dela, mas adora o tom lúdico e defende que o pão merece ser exibido como algo além de comida. Depois, retira a parte com cera e congela o pão para comer mais tarde.
Quem mora na cidade pode visitar a feira de flores, a feira de produtores ou passear pelo Central Park, sugere a escritora. Quem puder pegar o carro deve colher maçãs ou simplesmente dirigir admirando as folhas em tons de laranja, amarelo e vermelho. O passeio pede um final doce: uma sobremesa de maçã, com o aroma de canela se espalhando pela casa.
Por que isso importa: o livro faz parte de uma onda de estilo de vida que valoriza o tempo, a decoração feita à mão e o ritual em vez do consumo. Mesmo com as estações invertidas no Brasil, a lição vale para qualquer calendário: pequenos gestos sazonais, como uma mesa bem pensada ou um passeio de fim de semana, tornam a casa mais acolhedora e as mudanças mais fáceis de acolher.





