Tudo começou com um smoking. A nova coleção de fim de ano da Universal Standard, criada com a empreendedora, modelo e defensora da moda inclusiva Lauren Chan, nasceu de uma visão compartilhada: um terno de gala inspirado no estilo de Yves Saint Laurent nos anos 1970. A linha chega com oito peças, numeração do 00 ao 40 (padrão americano) e preços entre US$ 228 e US$ 388, algo como R$ 1.250 a R$ 2.150 em conversão aproximada.
O projeto foi desenvolvido por Chan ao lado de Ramon Martin, diretor criativo da marca. As peças passam por alfaiataria, cupro fluido, couro vegetal e pelo sintético, e misturam códigos masculinos e femininos. Chan participou de todas as provas e transformou, por exemplo, um vestido midi em um longo que ela mesma usaria tanto em uma festa de fim de ano quanto em um casamento.
Um reencontro de longa data
A relação entre Chan e a Universal Standard é antiga. Quando era editora da revista Glamour, ela foi procurada pelas fundadoras da marca, Polina Veksler e a falecida Alexandra Waldman, em uma reunião na mesa de trabalho. Mais tarde, a dupla recebeu um pop-up da Henning, grife de Chan, no espaço da marca em Nova York. Ela também desfilou em coleções anteriores.
Chan começou a carreira como redatora de moda e chegou a editora de features da Glamour, onde comandou o time de moda e desenhou dez coleções da parceria Glamour x Lane Bryant. Em 2019, lançou a Henning, marca de luxo plus size que vestiu nomes como Ashley Graham e Stacey Abrams. A Universal Standard comprou a empresa em 2023, e Chan ficou como head de parcerias de marca. A nova linha é independente, mas segue a colaboração Henning x Universal Standard de 2024.
Os elementos da Henning estão todos ali: alfaiataria marcante, o cupro que virou sucesso e modelos femininos sensuais. Entre as favoritas de Chan estão o paletó cropped com lapelas de cetim, a calça pantalona combinando e o vestido preto de gola alta com babados nas costas. Segundo ela, o desenho tem uma estética atemporal, que permite várias combinações e serve em todos os corpos.
Por que isso importa
Para Chan, o mercado plus size muitas vezes obriga a cliente a escolher entre qualidade e estética. “Essas peças são tão boas de usar quanto de olhar, e o desenho é o mesmo em toda a grade de tamanhos”, afirmou. Ela diz também que o espaço da moda inclusiva está encolhendo, o que torna importante levar esse tipo de produto ao mercado.
A estilista resume o recado em uma frase: clientes de numeração acima da grade padrão não querem ser tratadas de forma diferente, e sim ter acesso às mesmas roupas que a moda celebra no momento. Em uma temporada de festas em que o look de gala costuma ser pensado só para tamanhos menores, a coleção tenta provar que o mesmo smoking e o mesmo vestido longo podem vestir todas, e ser reutilizados muito além de dezembro.





