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Estilo

Lee Krasner chega a Paris com 16 obras e inspira coleção de Ulla Johnson

Primeira individual da artista em Paris, na Gagosian, reúne obras dos anos 1960, dialoga com o Met e tem ligação com a moda: Ulla Johnson e até bolsas Gucci.

Redação Novidades e Joias
21 de outubro de 2026, 23h17 · 4 min de leitura
Lee Krasner chega a Paris com 16 obras e inspira coleção de Ulla Johnson
Arte: Novidades e Joias

Entre as peças mais comentadas da primeira individual de Lee Krasner em Paris está uma tela que já virou estampa de passarela. A estilista Ulla Johnson usou a obra Portrait in Green (1969), ao lado de Comet (1966-70), para criar peças estampadas da coleção de primavera 2025, em parceria com a Pollock-Krasner Foundation. As duas pinturas agora estão penduradas na galeria Gagosian, na rue de Ponthieu, na mostra Lee Krasner: Works from the 1960s, em cartaz até 18 de dezembro de 2026.

Chama atenção que seja a primeira individual da artista na capital francesa. A exposição foi organizada pela Gagosian com a galeria Olney Gleason e a fundação, e abriu antes da Art Basel. Ela conversa com a grande mostra Krasner and Pollock: Past Continuous, em cartaz no Metropolitan Museum de Nova York, que acompanha os dois artistas e mostra como a carreira de Krasner seguiu por cerca de 30 anos depois da morte de Jackson Pollock.

Dezesseis obras, uma década de mudanças

Estão na galeria 16 pinturas e trabalhos em papel. As mais antigas são Seeded e Uncaged, da série Umber, de 1960, feitas num período em que Krasner sofria de insônia após a morte da mãe. Mesmo com tons sombrios de marrom e preto, as telas transmitem uma urgência selvagem de paredes opostas da sala principal. “Não parece que ela está rugindo, se soltando?”, comentou Kara Vander Weg, diretora sênior da Gagosian em Nova York.

Na maior parede, três telas transbordam em camadas de coral, malva, ocre e roxo. Segundo Eric Gleason, cuja galeria representa o espólio de Krasner e de Pollock no mundo todo, Chrysalis e Icarus (1964, óleo sobre tela, 116,8 x 175,3 cm) foram pintadas com o pulso direito quebrado, após uma queda causada por uma hemorragia cerebral. Os pontilhados menores vêm de um gesto improvisado: ela segurava o tubo de tinta com a mão esquerda e o guiava com a direita. Na sala ao lado, guaches sobre papel Howell texturizado convivem com Camouflage, um estudo em laranja profundo que não se mistura ao entorno, e com Portrait in Green.

“Ela era uma experimentadora inquieta, que mudava de rumo e editava o próprio trabalho, e mesmo nesse período de dez anos há muita variedade”, disse Gleason. Reunir as telas, segundo ele, deixa essa diversidade evidente. Dos cerca de 600 trabalhos que Krasner fez, existem hoje 210 pinturas, já que ela tinha o hábito de desmontar, reaproveitar e fazer colagens com telas antigas. O grupo estima que cerca de um terço delas esteja em exibição neste momento.

Bolsas Gucci e um batom chamado Krasner’s Kiss

A moda aparece também em detalhes pessoais. Caroline Black, diretora executiva da fundação, contou que a instituição guarda duas bolsas Gucci da artista, doadas pela sobrinha, Rena “Rusty” Kanokogi, e pela filha dela, Jean. Dentro delas ainda estão cartões de benfeitora de museus e o cartão de crédito da loja de materiais de arte Pearl Paint, com nomes diferentes: Lee Pollock, Lee Krasner e Lee Krasner Pollock. Há ainda batons que a fundação mandou recriar para a equipe, batizados de “Krasner’s Kiss”. Durante a visita, Black usava uma blusa de Ulla Johnson com babados e toques de magenta e verde, que reproduzia as cores de Comet.

A fundação, criada em 1985, não cuida apenas do legado do casal: seu foco é apoiar outros artistas e instituições. Mais de 5.200 artistas em 80 países já receberam, no total, mais de US$ 96 milhões em bolsas (cerca de R$ 500 milhões, em conversão aproximada). Black brincou que “de vez em quando” deixam Gleason vender uma obra, e lembrou que poucos artistas criavam fundações como Krasner na época de sua morte.

A mostra chega depois de temporadas parisienses dedicadas a mulheres artistas até então pouco vistas na cidade, como Hilma af Klint, Leonora Carrington, Lee Miller e Eva Gonzalès. Para Gleason, porém, destacar Krasner só por ser mulher esconde sua grandeza geral, e talvez o mais importante seja que ela se considerava, sem cerimônia, uma “pintora muito boa”. Para quem acompanha a moda, a exposição mostra como a arte alimenta as coleções, e para o público francês, é uma apresentação tardia de uma artista central do expressionismo abstrato americano.

Com informações de Vogue.