Só dois meses separam as duas coleções. Luke Sales e Anna Plunkett, dupla à frente da Romance Was Born, já apresentaram a sequência da linha de primavera 2027 de prêt-à-porter. “Acho que vamos chamar de parte dois”, brincou Sales, por FaceTime, direto de Roma.
A origem criativa é a mesma do primeiro capítulo: um álbum de recortes de papéis de parede antigos, encontrado no acervo do Powerhouse Museum, onde fica o escritório da marca. Se a primeira rodada tinha um tom mais formal, esta é mais festiva. Ainda assim, nenhuma das duas é exatamente casual, apesar de uma breve aparição de jeans.
Bordados, jacquard e nenhuma peça lisa
Bordado e jacquard seguem como protagonistas. Em toda a coleção, não há uma única peça de cor sólida e sem adorno. Uma camisa listrada de gola alta e botões ganha flores que pendem do tecido, enquanto plumas leves continuam contornando barras, golas e punhos.
A renda preta e azul-marinho acrescenta um toque de ousadia. Ela aparece num vestido com bordado floral e fenda frontal e, de forma mais discreta, como acabamento num conjunto verde de inspiração vintage.
Um arquivo longo demais para uma única coleção
Segundo Sales, as duas coleções arranham apenas a superfície do extenso livro de papéis de parede antigos. Quem acompanha a grife deve esperar muito mais desenvolvimento têxtil ao longo do próximo ano.
O estilista explicou a lógica de dividir o material: “Quando fazemos algo, temos tantas ideias que é difícil condensar tudo em uma só coleção. É bom poder espalhar, ter tempo para explorar e levar tudo até o fim”, afirmou.
Em um calendário de moda que costuma empurrar as marcas a reinventar tudo a cada temporada, a Romance Was Born aposta no caminho inverso: aprofundar uma única fonte de pesquisa e deixar a estampa, o bordado e a textura contarem a história em capítulos. Para quem gosta de moda com personalidade e trabalho artesanal visível, vale acompanhar os próximos passos.





