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Negócios

Ferragamo: vendas caem 6,2% no 3º trimestre e China preocupa; EUA crescem 7,3%

A grife italiana vendeu 207 milhões de euros no trimestre, cresceu na venda direta e na América do Norte, mas vê a China como o 'real problema'.

Redação Novidades e Joias
20 de outubro de 2026, 18h11 · 4 min de leitura
Ferragamo: vendas caem 6,2% no 3º trimestre e China preocupa; EUA crescem 7,3%
Arte: Novidades e Joias

A Ferragamo vive um momento de reorganização, e os números do terceiro trimestre mostram os dois lados dessa virada. A receita da grife italiana caiu 6,2% no período e somou 207 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão, em conversão aproximada de R$ 6 por euro). A queda foi de 3,5% a câmbio constante. Ao mesmo tempo, as lojas próprias e o e-commerce da marca seguem em alta, e a América do Norte cresce em ritmo forte.

Nos nove meses encerrados em 30 de setembro, o faturamento recuou 2,8%, para 675 milhões de euros (aproximadamente R$ 4 bilhões), contra 695 milhões de euros um ano antes. Segundo a empresa, o resultado reflete a racionalização estratégica do atacado, ou seja, a decisão de vender para menos multimarcas e escolher melhor onde a marca aparece.

Venda direta cresce, atacado encolhe de propósito

O canal de venda direta ao consumidor (lojas próprias e online) subiu 1,9% no acumulado do ano, para 537 milhões de euros (cerca de R$ 3,2 bilhões), ou 4% a câmbio constante. No trimestre, avançou 2,3%, impulsionado pelas vendas a preço cheio nas lojas físicas. O membro do conselho executivo Ernesto Greco contou que o varejo começou julho bastante negativo, ficou ‘estável’ em agosto e melhorou em setembro e outubro.

Já o atacado caiu 15% nos nove meses, para 123 milhões de euros (cerca de R$ 740 milhões), e 24,2% no trimestre. Greco disse que a limpeza da distribuição está em fase avançada. Ele prevê comparação ainda negativa no primeiro semestre de 2027 e estabilização, com possível alta, no segundo, em pontos de venda de boa reputação. O Oriente Médio, que hoje responde por apenas 1,3% a 1,5% das vendas, é visto por ele como ‘uma oportunidade muito interessante’.

América do Norte e Latina sobem; a China é o enigma

A América do Norte avançou 7,3%, para 222 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão), e já representa 33,6% da receita. A América Central e do Sul cresceu 11,2%, para 59 milhões de euros (cerca de R$ 350 milhões). Para Greco, a América Latina é um mercado ‘muito interessante’ para a Ferragamo, e a empresa avalia até ampliar a presença ali, graças ao reconhecimento e à reputação da marca. A região Ásia-Pacífico caiu 6,1%, para 166,6 milhões de euros, com 25,2% do total. O Japão recuou 12%, para 50,4 milhões de euros, e 2,2% a câmbio constante. A Europa somou 161,7 milhões de euros nos nove meses, queda de 8,6%, com 24,6% das vendas. Fora China e Japão, todos os mercados tiveram desempenho positivo a câmbio constante.

A China, porém, preocupa. Greco a chamou de ‘o verdadeiro problema’ e admitiu que a empresa não sabe se a desaceleração é temporária. Segundo ele, a dificuldade está nas consumidoras ‘aspiracionais’, enquanto as clientes mais ricas, as ‘de diamante’, seriam resilientes. A marca testa atendimentos especiais, como convites para visitas em Florença, com retorno positivo. Em 2027, a Ferragamo vai fechar algumas lojas no país, principalmente em cidades de terceiro nível, e apostar nas vendas online diretas.

Por categoria, o calçado subiu 1,3%, para 297 milhões de euros, e o vestuário avançou 2,6%, para 41,8 milhões de euros. Os artigos de couro caíram 5,8%, para 270,3 milhões de euros, e a seda ficou praticamente estável, com alta de 0,3%, para 50,8 milhões de euros. Questionado sobre transformar a boa recepção das coleções do diretor criativo Maximilian Davis em sucesso comercial, Greco afirmou que houve progresso, mas que ainda há espaço para melhorar, num processo que envolve merchandising, logística e pesquisa.

Por que isso importa: o caso da Ferragamo mostra que o luxo vive um momento de seleção, em que as clientes de altíssima renda sustentam as marcas enquanto o público aspiracional perde fôlego, sobretudo na Ásia. Sobre a projeção de consenso do mercado de 950 milhões de euros (cerca de R$ 5,7 bilhões) em receita líquida para o ano, Greco foi cauteloso: disse ser difícil afirmar se é alcançável, pois depende de um bom Natal num ambiente turbulento e volátil.

Com informações de WWD.