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Negócios

LVMH, Burberry e Hugo Boss estão entre as 21 marcas campeãs em gestão química da ZDHC

Avaliação 2026 da ZDHC elevou de 15 para 21 o número de marcas no nível Champion, mas o acompanhamento dos fornecedores ainda fica atrás do monitoramento.

Redação Novidades e Joias
20 de outubro de 2026, 12h42 · 4 min de leitura
LVMH, Burberry e Hugo Boss estão entre as 21 marcas campeãs em gestão química da ZDHC
Arte: Novidades e Joias

Vinte e uma marcas de moda e varejo chegaram ao nível mais alto, o Champion, na avaliação Brands to Zero 2026, da ZDHC. Na edição anterior eram 15. Na lista estão nomes do luxo e do prêmio, como LVMH, Burberry e Hugo Boss, ao lado de gigantes como Inditex, H&M, Nike, Adidas e Puma.

A ZDHC é a organização que reúne marcas em torno da gestão de produtos químicos na cadeia têxtil. Seu nome vem da sigla em inglês para descarga zero de químicos perigosos. O relatório, divulgado em 15 de outubro, analisa como as marcas signatárias lidaram com o tema em 2025, tanto dentro da própria empresa quanto junto aos fornecedores. A avaliação é obrigatória para os signatários e conduzida de forma independente pela KPMG Netherlands. Empresas que participam apenas como Friends of ZDHC não passam por ela.

O que os números mostram

O avanço aparece em vários indicadores. A parcela de marcas que exigem dos fornecedores os dados do InCheck, relatório do inventário químico de cada fábrica, subiu de 75% para 91%. O monitoramento desses dados passou de 87% para 91%. Já o acompanhamento ativo, em que a marca procura o fornecedor para corrigir falhas, foi de 60% para 74%.

O InCheck resume o quanto o inventário químico de uma fábrica está de acordo com a MRSL, lista da ZDHC que proíbe o uso intencional de substâncias perigosas na produção. As marcas consultam essas informações na plataforma Gateway, que também reúne os relatórios ClearStream, sobre o desempenho do tratamento de efluentes.

As marcas recebem uma de três designações: Pioneer, Accelerator ou Champion. Cada empresa fica com um boletim confidencial, e o relatório público traz apenas os resultados consolidados. Para chegar a Champion, é preciso cumprir os indicadores essenciais de cada nível, usar um modelo de cálculo avaliado e comprovar o progresso com dados das fábricas. A ZDHC afirma que os critérios são revistos e elevados todo ano.

Do controle ao resultado ambiental

O relatório também aponta um ponto fraco. As marcas do nível intermediário pontuaram pouco acima das do nível mais baixo em integração ao negócio, o que a ZDHC associa à supervisão da diretoria e à responsabilização por colocar as políticas em prática. A entidade quer que mais marcas trabalhem com as fábricas na correção dos problemas que os dados revelam, etapa que começa depois do envio dos inventários e dos relatórios de efluentes.

Os resultados medem os sistemas que as marcas montaram e a implementação que conseguem documentar. O relatório não quantifica uma redução geral no uso de químicos perigosos nem na poluição. Segundo o próprio documento, a pergunta mais difícil, e a mais importante para materialidade e impacto, é se todo esse esforço se traduz em melhora ambiental concreta. A ZDHC indica como próximo passo ligar melhor as evidências de implementação a resultados ambientais medidos.

Para o consumidor, o movimento mais visível deve ser o ZDHC ClaimCheck, previsto para o fim de 2026. Dentro do Referencing and Claims Framework, em desenvolvimento, ele permitirá que marcas registrem publicamente seu alinhamento ao Sustainable Chemical Management Framework, diferenciando quem usa as diretrizes, quem participa do programa e quem relata uma implementação avaliada de forma independente. Num mercado de luxo cada vez mais cobrado por transparência, a distinção deve pesar na credibilidade das alegações de sustentabilidade.

Com informações de WWD.