Basta abrir um vídeo de “arrume-se comigo” para notar: o primeiro passo da rotina costuma ser uma escova de cerdas deslizando sobre a pele seca. A escovação a seco, ritual cultuado por Gwyneth Paltrow e Tracee Ellis Ross, voltou ao centro da rotina de beleza. A Vogue americana decidiu testar a prática e ouvir especialistas para saber o que ela entrega de fato.
O gesto é simples: passar uma escova de cerdas sobre a pele seca, quase sempre no corpo, e sempre em direção ao tronco, ou seja, contra a gravidade. No rosto, só vale usar escovas específicas, bem mais macias. A técnica não é novidade. Ela faz parte da medicina ayurvédica e também da medicina tradicional chinesa, o que, para a autora do texto, é um bom sinal de que não se trata de modismo passageiro.
O que o ritual promete
A lista de promessas é longa: esfoliar a pele, deixá-la mais uniforme, ativar a circulação e reduzir a sensação de inchaço e de retenção de líquidos. Lauren Berlingeri, cofundadora da marca HigherDose, define a prática como um ritual ayurvédico poderoso, que esfolia a pele e estimula a drenagem linfática. A massoterapeuta Sophie Bolvary, da Sanara, lembra que o sistema linfático não tem uma bomba própria. Ele só entra em ação com o movimento do corpo ou com estímulos manuais, como a escovação ou uma massagem leve.
O tipo de escova também importa, segundo Bolvary. As de cerdas de javali são as mais indicadas para uso diário e para esfoliar. As de cerdas de cobre iônico, por sua vez, prometem envolver o corpo em íons negativos, algo associado a propriedades antivirais e antibacterianas na medicina tradicional. Já a ideia de que a escovação reduz a celulite, popular nas redes, pareceu “um tanto infundada” à autora depois de pesquisar o assunto.
Na prática, ela passou a escovar a pele ao menos quatro vezes por semana. O resultado mais visível foi uma pele mais polida e luminosa, já que a escova remove rapidamente as células mortas que formam um véu acinzentado sobre o bronzeado do verão. Ela também combinou o ritual com o banho de contraste, alternando água quente e fria, e se sentiu muito mais disposta, sobretudo depois de treinar. Três minutos bastam, e não é preciso cinco. Já a ressaca, avisa, a escova não resolve.
Quem está começando deve esperar coceira, formigamento e uma leve vermelhidão, que passam logo e ficam menos intensos com o uso regular. A pele também pode parecer “empoeirada”, por causa das células descamadas. Por isso, o ideal é escovar antes do banho, e um pouco do sabonete de sempre resolve o resto.
Cuidados, frequência e limpeza da escova
A dermatologista Marisa Garshick, da MDCS Dermatology, alerta que pressão excessiva pode causar irritação e microlesões na pele. A prática não é recomendada para quem tem pele sensível, ferida ou inflamada, como nos casos de eczema e psoriase. Para peles sensíveis, ela sugere escovar uma ou duas vezes por semana. Se a pele tolerar, Bolvary afirma que o hábito pode ser diário, de preferência logo ao acordar, antes do banho. Segundo ela, algumas pessoas o acham mais estimulante do que uma xícara de café.
Outro ponto de atenção é a higiene da escova. Como a esfoliação solta muitos resíduos de pele, eles se acumulam nas cerdas, e isso pode tornar a escovação ineficaz ou irritar ainda mais a pele. Quem prefere um tratamento mais profundo pode recorrer a um profissional, que alcança as áreas de difícil acesso e ensina a técnica e a pressão corretas.
O veredito da Vogue é positivo, e o motivo é prático: trata-se de um ritual barato, rápido e fácil de incorporar à manhã. Seus efeitos nem sempre se enxergam, mas costumam ser sentidos, como pele mais uniforme, pernas mais leves e mais disposição. A lição vale além da escova: reservar alguns minutos por dia para um gesto de cuidado consigo mesma é um luxo subestimado.





