Quem pensa na Côte d’Azur costuma imaginar iates, praias lotadas e a agitação de Cannes e Saint-Tropez. Mas o charme mais refinado da Riviera Francesa talvez esteja no inverno, entre dezembro e fevereiro, quando a região devolve o ritmo tranquilo que encantava a aristocracia europeia séculos atrás.
Não por acaso, a Costa Azul nasceu como destino de frio. Segundo a Forbes Brasil, Nice, capital do departamento de Alpes-Maritimes, virou parada da elite europeia no século 16, recebendo sobretudo famílias abastadas britânicas que fugiam do clima do norte do continente. O trunfo era a combinação de temperaturas suaves, luz mediterrânea e paisagem à beira-mar.
Da aristocracia ao cinema
Entre os séculos 17 e 18, jovens aristocratas do norte da Europa faziam o Grand Tour, longa viagem de formação cultural que tinha a Itália como grande destino. Nice, então parte do Reino da Sardenha, ligado à Casa de Saboia, funcionava como porta de entrada para a península. A cidade só passou à França em 24 de março de 1860, pelo Tratado de Turim, como recompensa pelo apoio militar francês à unificação italiana.
O glamour cinematográfico veio depois. Os irmãos Lumière filmaram o Carnaval de Nice já em 1896, e a primeira edição efetiva do Festival de Cannes aconteceu em setembro de 1946. Nas décadas de 1950 e 1960, com as estrelas de Hollywood e a ascensão de Brigitte Bardot, a região se consolidou como palco de celebridades, moda e liberdade de costumes.
O que esperar da baixa temporada
O inverno mediterrâneo tem máximas médias de 14 graus e mínimas de 5 ou 6. É suficiente para passear à beira-mar, almoçar ao ar livre e explorar vilarejos, mas as noites são frias, e chuva e vento fazem parte da estação. Vale levar corta-vento, jaqueta leve e um tricô curinga. O acesso é simples: a Air France opera voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife para Paris, de onde o trajeto até Nice leva cerca de 1h30. O aeroporto fica a apenas 6 quilômetros do centro, e a cidade serve de base para visitar as vizinhas.
À mesa, Nice tem endereços para todos os gostos. O centenário Acchiardo, no centro antigo, está na quarta geração da família: Raphaël e Jean-François recebem no salão de construção medieval, enquanto a irmã Virginie comanda a cozinha. O cardápio traz clássicos locais como salada niçoise, pissaladière (prima da focaccia, com cebola caramelizada, anchova e azeitona preta) e socca, panqueca fina de farinha de grão-de-bico. Há também pratos de influência italiana, como saltimbocca, lasanha e coelho à bosaiola.
Na região do porto, os chefs argentinos Lorenzo Ragni e Florencia Montes comandam dois endereços. O Onice, com uma estrela no Guia Michelin, trabalha com menus degustação de cinco ou sete etapas e ingredientes sazonais. Já a Tina Trattoria, presente na seleção do guia, aposta em massas artesanais inspiradas no Piemonte e na Lombardia, com um cacio e pepe elogiado pela publicação.
A lista inclui ainda o Hôtel du Couvent, instalado em um antigo convento do século 17 e apontado como um dos projetos de hotelaria mais interessantes da Riviera nos últimos anos. Sua proposta é um luxo menos ostensivo, mais próximo da história, da arquitetura e da arte de viver mediterrânea. No fim, a mensagem é clara: para quem busca o quiet luxury, a baixa temporada na Côte d’Azur pode ser a melhor das estações.





