Os sapatos viraram um dos motores mais promissores da Coach. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a receita da categoria de calçados da marca cresceu mais de 20%, segundo a Tapestry, dona da Coach e da Kate Spade. A CEO do grupo, Joanne Crevoiserat, chamou o segmento de “oportunidade significativa de crescimento” durante a teleconferência de resultados, realizada na quinta-feira.
De acordo com ela, a família de sapatos Margot e o “sucesso contínuo dos tênis” responderam por boa parte da alta. Todd Kahn, presidente e CEO da Coach, acrescentou que os calçados foram responsáveis por cerca de 6% do crescimento total da marca no período. Ao falar com analistas, ele resumiu o momento com uma imagem de passarela: “Ainda estamos caminhando. Ainda não corremos. Há muita oportunidade”.
O tênis Soho e a estratégia “One Coach”
Kahn usou os calçados como exemplo da estratégia “One Coach”, que busca acabar com a divisão tradicional entre as lojas de preço cheio e os outlets. Pelo programa, parte da coleção é vendida a preço cheio também nos outlets, para que a marca tenha uma apresentação mais consistente nos canais físicos e digitais.
O tênis Soho foi lançado com um único preço em todos os canais, e o executivo afirmou que a fórmula está dando resultado. Segundo ele, o modelo é uma ótima porta de entrada para o público masculino jovem: a primeira compra na Coach costuma ser um Soho, e depois esses clientes são levados a conhecer os artigos de couro. Já o Margot, nas palavras de Kahn, é um calçado “excepcional” dentro do segmento feminino.
O executivo também explicou por que a categoria agrada à companhia. Os sapatos aumentam o número de peças por transação nas lojas próprias, têm alta frequência de compra e ampliam o alcance da marca entre todos os gêneros. Eles ainda funcionam como cabeça de ponte para o atacado em mercados onde a Coach tem menos presença, como a Europa, com boa rentabilidade.
Os números do trimestre
O lucro líquido da Tapestry subiu 30,9% e chegou a US$ 360 milhões (cerca de R$ 2 bilhões, em conversão aproximada), ou US$ 1,76 por ação diluída. O lucro ajustado foi de US$ 1,82 por ação, bem acima dos US$ 1,56 previstos por analistas. As vendas cresceram 12%, para US$ 1,9 bilhão (aproximadamente R$ 10,5 bilhões), sem contar a Stuart Weitzman, que foi vendida à Caleres no ano passado. O número superou a expectativa do mercado, de US$ 1,85 bilhão. As vendas diretas ao consumidor avançaram 9%, e o atacado, mais voltado ao exterior, saltou 30%.
Sozinha, a Coach faturou US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9,4 bilhões), alta de 16%. A Kate Spade, que passa por uma reestruturação para voltar a crescer sobre uma base mais sólida, recuou 10%, para US$ 233 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão). Os valores em reais seguem uma cotação de referência em torno de R$ 5,50 por dólar.
Com o desempenho, a Tapestry elevou sua projeção para o ano fiscal inteiro: a receita deve crescer de 6% a 7%, para um intervalo de US$ 8,5 bilhões a US$ 8,6 bilhões (algo entre R$ 47 bilhões e R$ 47,5 bilhões), o que representa US$ 100 milhões a mais do que a estimativa inicial. O recado ao mercado é que os calçados deixaram de ser coadjuvantes na Coach e tendem a ganhar protagonismo, como porta de entrada para novos clientes e como aposta para ampliar a presença da marca na Europa.





