Uma camisola de cetim branco da Dior, um banquinho e os pés descalços: assim Jenna Ortega aparece na capa da edição de novembro da Vogue. Aos 24 anos, a atriz de Wandinha (Wednesday, no original) abre mão do visual sombrio que a consagrou e surge em uma versão mais natural e delicada.
O ensaio leva a assinatura do fotógrafo húngaro Szilveszter Makó, com styling de Tabitha Simmons. As imagens seguem o estilo artístico que é marca do fotógrafo: Jenna posa em looks escultóricos diante de cenários em trompe l’oeil, a técnica de pintura que cria ilusão de ótica e dá aos fundos um ar surreal.
Do verde ácido às plumas azuis
Nas páginas internas, o guarda-roupa é um desfile de grifes. Há um vestido assimétrico em verde ácido da Givenchy e um minivestido da Miu Miu amarrado com tranças da personagem Wandinha, que aparecem “desmembradas” no styling, num piscar de olho bem-humorado ao papel que a projetou. O ponto alto é um vestido Balenciaga Couture feito de plumas em azul vibrante.
A escolha das peças dialoga com a trajetória de Jenna nos tapetes vermelhos. Nas turnês de divulgação de Wandinha e de Beetlejuice Beetlejuice, ela apostou no chamado method dressing, em que o figurino acompanha o universo do filme ou da série. O resultado a apresentou ao grande público, sobretudo, dentro de uma estética gótica.
“Uma pessoa de pouca manutenção”
Na entrevista à revista, a atriz desmonta a imagem construída pelos looks. “No meu dia a dia, sou muito prática, muito confortável. Sou uma pessoa de pouca manutenção”, diz. Sobre a personagem que a tornou famosa, ela reconhece o peso: Wandinha “teve um impacto tão profundo na minha vida” e “sempre será algo em que as pessoas pensam quando me veem”.
A diretora Mary Bronstein, que trabalhou com Jenna, vai na mesma direção. Segundo ela, a atriz “foi colocada em algumas caixinhas”, e há coisas ali dentro que ainda não vieram à tona. Mary elogia ainda a elegância de Jenna, que, nas palavras da diretora, poucas pessoas têm mesmo na casa dos 40 ou dos 50 anos.
Por que importa: a capa funciona como um recado de reposicionamento. Ao combinar três casas de peso, Dior, Givenchy e Balenciaga, com um clima artístico e mais leve, Jenna Ortega mostra que quer ser vista para além do gótico, e a moda é o principal veículo dessa mudança.





